Jornalismo de intervenção

Jornalismo cidadão (pt), Periodismo ciudadano (es) e Citizen journalism (en) são as expressões usadas para referir um fenómeno, que não é novo, mas que ganhou contornos novos na Internet.

Refere-se à cobertura jornalística feita por cidadãos, portanto, amadores, que fogem aos ditames das agendas políticas e dos media, e que livremente elegem os temas que os preocupam e lhes interessam.

Acontece, muitas vezes, que estes amadores são especialistas numa área ou têm-na como hobby, o que os leva a serem mais exaustivos e pertinentes nas abordagens que o jornalista-repórter generalista.

Este movimento também está marcado pelo acaso, fortuito, no tipo de situação em que um cidadão se encontra casualmente no local e regista em primeira mão os factos, antecipando-se ao plantel jornalístico profissional.

Como movimento organizado, de pessoas de bem que desejam mudar a ordem actual das coisas, temos o testemunho de alguns jornais ao serviço de uma causa.

Activismo, participação, independência, fontes livres, social news, atenção ao local, são alguns dos temas intimamente ligados a este tipo de jornalismo que não deixa de suscitar críticas e ter opositores acérrimos.

Modalidades de implementação

Existem vários níveis de participação do cidadão.

1. Participação em media convencionais através de: comentários, blogs de colunistas, envio de fotos e vídeos, notícias locais. A liberdade do cidadão é reduzida e controlada. Representa frequentemente a resposta dos media profissionais à pressão deste fenómeno. Exs.:

CNN iReports, um espaço em que o cidadão pode participar na proposta e elaboração de notícias. Uma pop-up à entrada alerta para o facto de haver notícias que não editadas nem verificadas antes de publicação, ao contrário de outras que já possuem o rótulo CNN iReport.

CBS Eye Mobile aceita envio de fotos e vídeos das pessoas por e-mail.

Eu Repórter da Sic que desafia os leitores a enviarem histórias, fotos e vídeos.

2. Participação activa e exclusiva de cidadãos nas notícias publicadas. São media independentes e 100% geridos e dinamizados por cidadãos.

Em forma de website ou blog:

Agoravox, media francês. É de imediato perceptível o dinamismo, a escolha de temas e a forma de apelo à acção em alguns títulos. Trata-se de um jornalismo de irreverência e de questionamento.

You scoop it, website aberto à participação de qualquer cidadão, que pode criar novas notícias ou comentar outras. Estão estabelecidas as regras de aceitação de conteúdos e a obrigatoriedade de referir as fontes.

Bottup foi criado em formato de rede social constituída por leitores, jornalistas amadores que colaboram e um pequeno grupo de jornalistas profissionais que fazem a revisão e publicação das notícias enviadas.

Em formato de wiki:

Wikinews em várias línguas e com a filosofia da colaboração bem patente.

3. Participação activa e independente, mas a título pessoal, usando blog, fotoblog, podcasting ou vídeo.

Youtube Direct ao serviço dos jornalistas cidadãos

Hoje, é notícia o lançamento do serviço Youtube Direct que se presta a publicar vídeos feitos por cidadãos. A temática aponta, pelo menos numa primeira fase, para algum sensacionalismo: celebridades, desastres, escândalos e situações embaraçosas com políticos.

A plataforma pretende servir de base à “encomenda” de vídeos por parte dos media junto dos utilizadores do Youtube, mas também serve para contactar o cidadão – autor do vídeo, que interessa a determinado media.

Existem ainda outras aplicações para ONG e empresas na área da promoção e marketing.

Fonte de qualidade

Acerca deste tema, recomendo Periodismo Ciudadano que dá conta de casos, iniciativas, projectos, tendências nesta área. Também tem recursos seleccionados para o jornalista em formação, para o professor que queira abordar o tema, bem como ferramentas para criar website de jornalismo cidadão.

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Soluções de publicação de vídeo

Por imperativos profissionais tive de passar revista à oferta do mercado em matéria de publicação de vídeo na Internet. Interessava-me conhecer as plataformas, os serviços, as condições e as mais valias de cada uma.

Socorri-me da Wikipédia que tem um comparativo, mas também do website VidCompare, que faz a apresentação de empresas que prestam serviços ao sector empresarial.

Existem claramente dois momentos na evolução deste sector, o primeiro em 2005, altura em que se regista um boom de soluções (Youtube, Vimeo, Blip.tv, etc.), e um segundo, a partir de 2008 e também 2009, marcado pela oferta do HD. Agora quase todas as plataformas têm ou estão a oferecer qualidade superior no vídeo. Neste mesmo período, começaram a surgir empresas de cobertura mais modesta, mas muito mais especializadas e orientadas para nichos do mercado. A aposta no vídeo/ televisão é forte, até porque todas as estimativas apontam para uma procura cada vez maior. Em recente entrevista à SIC, Jeoffrey Cole, do Digital Center For the Future, responsável pelo relatório Internet Project, classificava  de ávida a procura do vídeo.  A expressão usada na entrevista é mesmo: “As pessoas procuram desesperadamente os vídeos”.

O que caracteriza a maioria destes serviços na Internet é a possibilidade de publicar, partilhar, embeber, comentar vídeos. Depois existem plataformas que postam forte na web sindicação, outras que exploram o vídeo marketing. Outras ainda, como a Kaltura, trabalham a vertente de vídeo patchwork, permitindo a mistura, recriação, colagem e reconstrução de vídeos.

Segue uma lista dos nomes mais sonantes e uma breve caracterização.

Alexa rank: 4

O Youtube dispensa apresentações, tal a popularidade de que goza. Impõe limites de 2GB e 10 minutos de vídeo. Não permite editar os vídeos, mas permite editar informação adicional (metadados), links e embeber. A plataforma não deixa fazer o download, mas não faltam plug-ins associados a browsers para o realizar. É um serviço gratuito e desde 2008 avançou para o HD, o que fez baixar as críticas à sua qualidade frente a concorrentes. Também este mês, fez melhorias na plataforma dos canais. É mais fácil personalizar e organizar o canal. Em questão de canais, apesar da recente remodelação, as templates são pobres e por cada conta só é possível um canal. Além disso, o nome do canal, uma vez criado, não é alterável.

Têm indicações de apoio a todos os que desejem promover marca/ empresa na plataforma. Também permitem que as empresas patrocinem vídeos via AdWords, tecnologia Google que tem vindo a integrar. É obviamente uma escolha importante para quem quer chegar à sua audiência.

Quando o barco é maior, maior parece ser a tormenta. Youtube tem sido criticado por sectores que apontam falhas ao seu processo de controlo do copyright.

Alexa rank: 85

O Dailymotion caracteriza-se por ser um serviço de partilha, tal como o Youtube, e de publicação para o público em geral. Entre nós não é tão conhecido, mas tem uma posição importante no rank dos mais visitados.
Permite embeber os vídeos em blogs, websites e redes sociais.
Distingue o utilizador comum (limite de 150MB ou 20 minutos de vídeo), o Motionmaker que não tem limites nos vídeos, que tem HD e disponibiliza conteúdo CC, e o  Offficial User que são os media, partidos, produtoras, etc., que têm em mãos matéria noticiosa, comunicados e reviews.
O controlo dos direitos de autor são uma bandeira no Dailymotion. Ao impedir o upload acima dos 150MB e criando a figura do Motionmaker que cria conteúdo próprio, a equipa controla os abusos. Além disso, faz revisão do vídeo antes de ser disponibilizado. A qualidade é boa nos vários testes de imagem disponibilizados.

Alexa rank: 152

É concorrente do Youtube e do Daily Motion, mas tem um funcionamento diferente: tem sistema de deduplicação de vídeos, filtro de conteúdo de adulto, uma comunidade de revisores. Leva a prática de rede mais longe ao associar à plataforma ranking e wiki de edição dos metadados dos vídeos.
Tirando o caso do Youtube, qualquer dos outros canais de vídeo generalistas não tem informação para as empresas nem planos especiais.

Alexa rank: 411

É uma plataforma anterior ao Youtube, remontando ao ano de 2004. Diferencia-se das outras pelo facto de todo o conteúdo ter de ser original e não comercial. Filmes, trailers, vídeos comerciais estão fora do âmbito.
A força da rede está bem patente nos 49 mil canais que possui. Destina-se sobretudo a artistas (fotógrafos, desenhadores, músicos, etc.), criadores, eventos culturais (festivais), empresas de produção independentes, ONG. Moby é um dos artistas que está no Vimeo.
Os seus pontos fortes são: a qualidade do vídeo, upload imediato antes dos metadados, possibilidade de embeber facilmente os vídeos. A limitação reside nos 500MB de limite para o plano free. O Vimeo Plus por $60/ ano tem 5GB, possibilidade de embeber HD e de forma personalizada, álbuns, grupos e canais ilimitados. Ao contrário do Youtube, aceita vários canais de vídeo ligados à mesma conta e permite alterar o nome do canal em qualquer altura.
A empresa tem planos para criar um Desktop Uploader, feito em Adobe AIR, com upload de múltiplos vídeos, possibilidade de fazer pausa, etc. As estatísticas são outro ponto a corrigir num futuro próximo – dados sobre preferências, referências, visualizações em HD ou SD, nº downloads, nº de vídeos partilhados em redes, etc.

Alexa rank: 1,925

Plataforma pensada para todos os criadores de programas de televisão em episódios: sitcom, séries, notícias, documentários de natureza, etc.
A conta básica é de 1GB grátis e, segundo os responsáveis, é suficiente para a maioria dos projectos. Existe uma apertada política de copyright.

Esta plataforma apoia a produção e o seu centro de negócio está na distribuição para outras (Youtube, iTunes, AOL, MySpace, Facebook, Twitter…). Da distribuição e ads gerados, dividem 50% com os autores. A qualidade da imagem é tida como fraca, quando comparada a outras plataformas.

Alexa rank: 2,140

Viddler surgiu em 2007 e está muito voltada para os produtores web. Na sua página está perfeitamente clara a divisão entre consumidor caseiro e mercado empresarial. Para este, os planos começam nos $100/ mês com direito a HD, AdWords, estatísticas e sistema para gerar conteúdo de clientes (comentários, partilha, etc.). Como se está a ver, quando é oferecido serviço profissional e para nichos, os preços disparam.
Uma outra empresa que opera no mercado empresarial, a Fliqz, cobra $499/ mês para que a empresa possa usar a sua marca, ter qualidade SD de vídeo, embeber vídeos, com um limite de 25 uploads por mês. Os planos da Wistia começam nos $39/ mês por 1GB, 400 visualizações!

Alexa Rank: 43,106

Trata-se de uma plataforma Open Source para publicação e vídeo marketing. Em Kaltura é possível fazer tudo – upload, pesquisa, gestão, edição, partilha, embeber vídeos em blogs e wikis (Mediawiki, WP, Drupal). O que a distingue das outras plataformas é o facto de estar preparada para remisturar e reutilizar vídeos e imagens Creative Commons. É a plataforma de mashups para vídeo por excelência e o meio eficaz de editar vídeos e imagens de powerpoints ou para powerpoints. Algumas críticas são contudo apontadas à qualidade dos vídeos, inferior ao standard actual.

Alexa rank: 85,443

Vzaar diferencia-se das plataformas até aqui referidas, porque não tem a função de partilha nem a ideia de rede. Trata-se de uma solução muito interessante do ponto de vista empresarial. Tem planos a custo muito acessível e excelente qualidade de serviço, olhando aos pacotes e o que neles está incluído. Ganhou visibilidade quando a eBay a listou nos serviços de publicação de vídeo que cumpriam os requisitos apertados da empresa. O seu mercado é o e-commerce, mas todo o ramo empresarial. Foi criada em 2007 e oferece o streaming, a partilha, o alojamento de vídeos e a possibilidade de embeber facilmente os vídeos noutros websites. Pode definir-se que vídeos publicar e quais manter privados, optar por não codificar o vídeo durante o upload, deixando-o com a qualidade de original, fazer download.

Perguntam-me se todas estas características fazem parte do plano base. Não, mas fica fácil de perceber que o custo é justo e acessível. Vzaar considera-se uma alternativa ao Youtube sem as limitações deste. Só com o registo, pode-se fazer upload de vídeo sem limites de tempo ou tamanho até ao máximo de 1GB/ mês de banda. Controlar se os vídeos são privados e exibidos apenas a quem se defina, HD e 2GB, ficam ao alcance de $5/ mês. O plano Bronze por $10/ mês inclui todas as vantagens. A diferença em relação aos restantes está no vídeo bandwidth. No Bronze já é possível retirar a marca Vzaar e pôr a própria.

De momento não têm estatísticas, mas estão a avançar nesse sentido. Também têm empresas parceiras que produzem vídeos a custos controlados.

Um aspecto curioso, que revela uma noção clara do funcionamento do mercado, é o facto da Vzaar assumir a sua aprovação pelo Vimeo. Os responsáveis confessam que gostam do Vimeo. Reconhecer isto publicamente só ajuda o cliente a fazer a escolha mais adequada à finalidade que persegue. Achei esta franqueza um ponto forte da empresa.

Síntese

Para a formação, educação, coaching de empresas, o Kaltura parece-me bastante recomendável. Desde que a estética possa ser secundarizada, face à funcionalidade e disponibilidade, esta é a melhor escolha.

No caso de se tratar de vídeos de apresentação de trabalho artístico (fotógrafos, realizadores, produtores, empresas de multimédia, design), o ideal é o Vimeo. A qualidade sempre foi um requisito desde a sua criação. O HD, agora mais generalizado, já era realidade no Vimeo desde há muito.

Para empresas que precisem de promover os seus produtos e serviços e avançar com campanhas de vídeo marketing e medir o seu impacto, o mais recomendável é o Youtube. Tem uma estrutura gigantesca e cobre todas as necessidades do mercado, inclusive a publicidade por meio do vídeo. A integração da tecnologia AdWords para vídeo tem sido o grande atractivo e trunfo. É claro que existem as tais empresas muito especializadas neste ramo com excelentes serviços, mas o preço é outro. Além disso, o Youtube tem a vantagem inegável de que o mundo inteiro pesquisa Youtube.

Para empresas que precisem de controlar o acesso aos seus vídeos (vídeos públicos e privados) e desejem maior flexibilidade e personalização, o Vzaar é sem dúvida o produto mais apropriado. A relação qualidade-preço é imbatível no actual mercado das plataformas de publicação de vídeo.

video_quadro

Comparativo da imagem

Aproveitando um teste realizado pela CnetNews em Janeiro de 2009, fica o link para a apreciação do desempenho de cada plataforma. Veja-se por exemplo, que no caso do Facebook, rede social que passou a disponibilizar o upload de vídeos, a compressão e codificação do vídeo é tal que ocorre muita perda de informação da imagem. Nesse aspecto também se faz esta batalha. Estes prestadores de serviço têm de oferecer boa qualidade, mas também sopesar o esforço em termos de infraestrutura que o viabilize. Os vídeos são consumidores sôfregos de banda e processamento.

A pesquisa social mora ao lado

O tema que nos prende hoje é o da pesquisa social como alternativa aos motores de pesquisa convencionais e à procura de resultados mais condizentes com a necessidade da consulta.

Apesar de não ser tema novo, a pesquisa social que se caracteriza pelo contributo e participação directa ou indirecta de pessoas, não é nova. Simplesmente está a receber novos inputs e formas que trazem também novos serviços e modelos de negócio.

Factor humano

Por muito bons que sejam os algoritmos e as ferramentas automatizadas, é certo que o contributo humano é sempre um factor de valorização. Duas razões podem explicar essa centralidade.

Desde o início, a pesquisa na Internet arrumava o conhecimento em Directórios, que precederam os motores de pesquisa. Batalhões de pessoas catalogavam o conhecimento.

Desde há muito e com maior expressão na actualidade, procura-se que o utilizador possa pesquisar em linguagem natural (termo inglês PNL (People Natural Language). A este tema de investigação de primeira linha junta-se a web semântica.

O objectivo é conseguir sistemas inteligentes que façam uma interpretação correcta dos termos de pesquisa e apresentem os resultados mais pertinentes, interajam, sejam capazes de sugerir, etc.

Duma e doutra forma fica provada a importância da participação humana no processo.

Factor comunidade

Se a participação humana é importante, também é verdade que é inviável nos termos anteriores, dado o crescimento exponencial da Web.

Inviável dizia, nos sistemas de organização anteriores à Web 2.0, porque nenhuma empresa, organização ou grupo é capaz de realizar certos projectos, mas a partir do momento em que se abre o mesmo à participação, o improvável acontece a cada dia. O arquivo de fotos da Biblioteca do Congresso está a ser classificado por anónimos.

Aproveitando esse manancial de energia, disponibilidade e conhecimento gerais, foram criados desde 2003 até cá uma série de serviços de Perguntas & Respostas (Social Q & A sites) que constituem uma alternativa à forma mais usual de procurar resposta a uma dúvida, pergunta ou problema.

Oferta do mercado

Como em todos os sectores, serviços houve que não vingaram (Google Answers) e outros permanecem aí de pedra e cal (Yahoo Answers).

De uma maneira geral, a pesquisa social usa as informações das redes sociais, os tweets, o social bookmarking, os reviews, mas no caso concreto destes websites o que se faz é apelar à participação das pessoas em plataformas onde podem colocar questões, responder a perguntas, votar repostas, fazer comentários, monitorizar o bom uso do serviço.

O que há de comum é o facto do conteúdo ser criado por pessoas comuns (UGC User Generated Content) e, uma vez publicado, ficar público e acessível a qualquer pessoa, podendo ser consultado e até indexado pelos próprios motores de pesquisa.

Algumas achegas podem ser feitas ao conjunto de serviços desta natureza:

  • Apresentam-se como extensões à rede de amigos e família a quem fazemos perguntas e damos respostas
  • Têm uma qualidade questionável, porque a grande maioria das perguntas apresentam as seguintes características:
  1. questões de trazer por casa e muito pessoais, dificilmente úteis a terceiros;
  2. perguntas que qualquer motor responde em segundos: hora local, data de nascimento de celebridade;
  3. algumas respostas são um copiar & colar simples da Wikipédia ou de outros sites
  • Não garantem um tempo de resposta ou sequer uma resposta. É possível obter de imediato uma resposta ou esperar dias, correndo mesmo o risco de não ser atendido;
  • São alvos fáceis de spam e vandalismo, por isso obrigam ao registo, têm em geral sistema de pontos, hierarquia e níveis de colaboradores, realizam concursos e atribuem prémios para criar espírito de pertença e gozo pela participação;
  • Seguem os temas da actualidade, sendo que as últimas questões espelham os assuntos badalados (buzzwords).

Yahoo Answers arrancou em Dezembro de 2005, é actualmente o serviço mais conhecido e com uma vasta comunidade. Conseguiu impor-se ao Google Answers que já existia desde 2002 e foi descontinuado em 2006.

É gratuito, mas possui um sistema de pontos como forma de incentivar e controlar o spam.

Tanto as perguntas como as respostas são votadas para dar maior credibilidade e orientar mais facilmente.

É criticado pela falta de qualidade das respostas, pouco levado a sério, sobretudo devido à falta de controlo das questões, mais de gozo que de interesse intelectual.

Em Outubro de 2009, tinha 179 milhões utilizadores e mil milhões de perguntas e respostas.

Uma curiosidade, na altura do lançamento a Yahoo convidou personalidades para formularem perguntas, foi o caso de Stephen Hawkins, cuja pergunta originou 22 mil respostas. Sem dúvida um exercício de criatividade para responder ao seguinte:

In a world that is in chaos politically, socially and environmentally, how can the human race sustain another 100 years?

De uma empresa israelita, Answers.com conheceu a luz do dia em Janeiro de 2005. Ocupa a 2ª posição no ranking de sites A&Q.

Apresenta-se como um sistema de perguntas e respostas que pretende ser repositório de pesquisa e conhecimento.

O que tem de particular é o uso da filosofia da wiki que prevê a melhoria das respostas. Uma resposta dada pode ser desenvolvida e optimizada por várias pessoas.

Sistema detecta duplicados e apresenta alternativas.

Existe uma atenção especial à qualidade da informação, porque se tenta combinar fontes editoriais com o contributo da comunidade.

Possui 5 milhões de respostas.

Answerbag está em funcionamento desde 2003. O utilizador registado pode perguntar, responder, pontuar, marcar spam, propor nova categoria, etc. Moderadores validam esse contributo. A arrumação em 4 áreas, além das habituais categorias, permite refinar a pesquisa. Essas áreas são: Social, Expert, Local e Shopping.

O tempo de resposta é mais lento que o do Yahoo, mas é possível pôr vídeos e imagens.

O sistema Chacha tem a vantagem de ser um sistema de P/R para telemóvel, útil quando não se tem acesso ao computador ou o telemóvel não permite Internet. Só funciona nos EUA, mas dá ideia do que pode vir a surgir no nosso território.

Existem 10000 guias aptos a traduzir as mensagens para texto e a responder. A qualidade das respostas não é nada de especial, duas linhas. Pode ter interesse para questões muito precisas, factuais. O serviço é gratuito.

Não usa a geolocalização para dar repostas. Por isso a pessoa tem de dar a localização se quer que a resposta esteja relacionada. Ex. restaurante chinês no cidade X. Nisso é superado pelo serviço do Google SMS e mesmo pelas abundantes Apps para smartphones.

O Mahalo explora mais a fundo o espírito de comunidade e avança com recompensas em dinheiro.

A participação tem três facetas: o sistema pergunta/ resposta a dinheiro e com concursos diários; a gestão de páginas, em que 50% das receitas de publicidade ficam para o gestor; a realização de tarefas, também pagas. Portanto, o repositório de conhecimento não só conta com a série de questões e respostas, mas também com um conjunto de páginas sobre diversos temas geridas pelos membros.

Para manter um contacto permanente, o serviço funciona por consulta no próprio site, por e-mail e pelo Twitter. A aplicação @answerme permite fazer perguntas e receber aviso sempre que é dada nova resposta, além de ser possível fazer com toda a simplicidade o seguimento da pergunta.

Outros serviços que estão a adoptar esta aplicação:

  • Gabinete do Primeiro Ministro Britânico Gordon Brown, que usa não só o Twitter como permite que cidadãos coloquem questões e obtenham respostas imediatas. A importância conferida à ferramenta está patente na elaboração de documento próprio dando conta dos objectivos e orientações.
  • O serviço de clientes da Câmara de San Francisco também disponibilizou o serviço pergunta/ resposta via Twitter aso cidadãos.

Aardvark é outro serviço, iniciado em Julho de 2007, que está a fazer furor e a crescer.

Colocar perguntas pode ser feito através do website, do IM, do e-mail, do Twitter, ou iPhone.

Esta solução vista explorar o conhecimento, a experiência, as dicas certas da rede de amigos e conhecidos, ou seja, os contactos do Facebook, Gmail, Hotmail, Twitter.

Existe o compromisso de 10 minutos pela obtenção de resposta(s), sendo o sistema que escolhe da rede de relações os contactos com mais probabilidade de darem resposta satisfatória.

Como ainda é um serviço novo, está a juntar massa crítica. No registo é sempre perguntado o tema acerca do qual a pessoa estaria habilitada a dar respostas. Yahoo tem 15 milhões pessoas/ dia, e este apenas 3 milhões. As respostas não estão disponíveis para quem visita o site.

Outros serviços, mais recentes, e com mais interacção: Gibbio, Sabe Alguién, por exemplo.

Novos modelos de negócio

Nesta procura de respostas a perguntas, a imediatez é um factor crítico. Serviços como os Q & A tradicionais não satisfazem em muitos casos, porque não se obtém a ajuda em tempo real.

Desta forma, muitos serviços passaram a usar o Twitter, com dupla vantagem: resposta em tempo real; ajudas da rede de contactos da pessoa que elabora a pergunta. Twikeo é um desses sites de perguntas e respostas. É francês, permite votar respostas.

Mas se a gratuidade é norma e se o que é usual nos utilizadores do Twitter é partilhar o conhecimento e procurar ajuda sem custo, há negócios que começam a surgir, assentes em sistemas de micro-pagamentos.

Neste novo cenário, podemos dizer que o Twitter assume novas funções e serve de base à prestação de novos serviços. De seguimento de celebridades a serviço de informações e alertas, de apoio a clientes a sistema de perguntas/ respostas, galga já caminhos na consultoria.

Exemplo desta vertente é o TwittExperts, criado por Alex Puig, que descreve o serviço como “consultoria low cost”.

O princípio de funcionamento é simples. A pessoa escolhe um especialista num tema e segue-o durante 10 dias mediante pagamento. Há peritos que respondem, outros apenas disponibilizam os seus conhecimentos e experiência.

O uso da ferramenta de microblogging Twitter permite que o custo pelo serviço não seja exagerado, porque os gastos da empresa em estrutura não existem.

Algumas aplicações do iPhone

No website da Apple, na secção das “Apps for iPhone”, a frase a jeito de slogan Apps for Everything dá claramente conta da diversidade estonteante de aplicações. Poder-se-iam criar categorias para todos os fins, classes, gerações, manias e taras, mas a empresa optou por simplesmente as arrumar em aplicações para trabalhar, para gerir a casa e o dia a dia, para as saídas e viagens e, por fim, mas não menos importante, para controlar os gastos e gerir o dinheiro.


Das muitas escolhas possíveis, fiz uma selecção de programas, que, admito, colocam a tónica no veraneio, mas é fruto da época.

Viagem

Para os organizadinhos, que gostam de ter tudo debaixo de controlo, mas também para aqueles que gostam sempre de saber a quantas andam, sem obsessões de maior, está disponível o FlightTrack (custo $4,99) que faz a monitorização em tempo real da viagem de avião – hora do voo, porta de embarque, bem como dados detalhados do avião, velocidade e altura. Informa ainda a pessoa de eventuais atrasos ou cancelamentos. O Mobile Glot dá uma mãozinha na comunicação, caso a língua do país destino não seja o forte. É um auxiliar de tradução em 6 línguas. Já no local, é possível saber onde comer, fazer compras, dormir ou divertir-se, graças ao Yelp. Além dos pontos de interesse, contém lista de opiniões e críticas quanto ao que se come, preços, serviço, etc. É preciso, porém, compreender que o sucesso desta aplicação depende da disponibilidade da informação acerca do local visitado ou no qual nos encontramos por motivos de trabalho.

Rede social

Para que o corte não seja radical, é possível manter-se conectado aos amigos no Facebook através do programa com o mesmo nome. Mas existe um sem número de widgets e aplicações relacionadas com as comunidades online.

Divertimento

Existem várias propostas de transformação do iPhone em instrumento preferido — guitarra, piano, e também ocarina. No caso da guitarra, PocketGuitar ($0,99) permite escolher a guitarra de eleição (acústica, eléctrica, clássica, baixo…), bem como realizar distorsões ou activar a função de coro. O Starmap ($11,99) é uma aplicação realizada por um astrónomo, que localiza constelações, planetas, e outros objectos no céu. É um verdadeiro planetário de bolso, que faz propostas de observação para cada noite como se de um profissional de tratasse.

Os adeptos do desporto podem conectar-se ao seu serviço preferido e seguir os campeonatos, provas ou canais noticiosos. Há para o Tour de France, a UEFA, os Lakers, etc. Mas para os que gostam de acção e quebrar uma ondas, existe o Surf Report. Nele, o praticante encontra as informações da altura das ondas, temperatura da água, maré. A aplicação lista centenas de praias em todo o mundo. Para uma actividade mais relaxada, há mais de 20 programas sobre Pilatos. O iPump Pilates ($1,99) é um deles e ajuda a manter a forma, mesmo no período de férias.

Todavia não se fique com a ideia que, no capítulo da saúde, só se coloca a tónica no físico. Vigiar o peso, o açúcar no sangue, a pressão arterial, a temperatura corporal, e até as caloridas consumidas, é possível com o kit Health Vitals Tracker.

Media

Os jornais, mesmo nos momentos mais letárgicos, podem marcar a sua presença. Além dos serviços genéricos de notícias, é possível subscrever o serviço noticioso do the New York Times.

Registo

Para assinalar cada momento, podemos rodear-nos de várias aplicações que complementam a função básica das fotos e vídeos proporcionadas pelo iPhone. Falo concretamente do Photogene ($2,99) que faz de imediato a edição das fotos, com já alguma complexidade (contrastes, recorte, passagem da foto a p&b, acréscimo de balões e comentários). O Audacity encarrega-se de gravar e editar ficheiros áudio. A captura faz-se de microfone, rádio.

O Shazam é um programa muito curioso. Vem em socorro daquelas situações em que temos a música debaixo da língua, mas não nos sai nem o título, nem o cantor. Ele reconhece a música e apresenta de imediato as informações relacionadas: título, capa do álbum, opiniões e, claro, a possibilidade de comprar a música no iTunes. Dizem os criadores que consegue reconhecer milhões de músicas e que surpreeende todos quantos o experimentam.

Gestão do dinheiro

Antes ou depois das férias, esta categoria fará todo o sentido. Há muitas ferramentas, mas destaco apenas o XpenseTracker ($4,99). De viagem de trabalho ou lazer, é importante registar as despesas diárias, ou porque se tem de apresentá-las para reembolso, ou porque é imperativo não gastar mais que o previamente orçamentado. Quando há lugar a reembolso, é possível fotografar os recibos e anexá-los às despesas como comprovativo.

Numa vertente mais do dia a dia, e sobretudo a pensar nos jovens, o Pennies ($2,99) revela-se ideal para gerir a mesada ou orçamento mensal. Existe um valor de entrada, cujo estado vai sendo vigiado. Um controlador indica graficamente se a pessoa está próxima ou não da zona vermelha.

Para a casa, o GroceryIQ ($0,99) mostra ser uma lista de mercearia de grande utilidade. É aquela lista que nunca se esquece, porque sempre nos acompanha. Além disso, permite a consulta do histórico e o envio a empresas que realizem entregas ao domicílio. Assim, a lista está sempre pronta a ser utilizada, quer pelo próprio, que realiza as compras, ou por quem lhe presta esse serviço. Muito oportuno.

A terminar, refiro a dificuldade em pesquisar na plataforma das apps da Apple. Tinha em mente alguns programas, sobre os quais li em tempos, mas já não os encontrei. Parece que as aplicações são muito rotativas e mudam de nome. A própria Apple coloca como salvaguarda que as aplicações disponibilizadas podem sofrer alterações ou sair da plataforma a qualquer altura. Os programas mais acessíveis são mesmo os que figuram na selecção da Apple debaixo da etiqueta “staff Picks”. A mesma volatilidade parece ocorrer com preços e demais informações.

“Some applications are not available in all areas. Application availability and pricing are subject to change.”

A vaga das App Stores

Este post versa sobre um tema com bastante visibilidade e alvo de concorrência feroz na actualidade. O tema das Apps Store.
E o que é isso de App Stores? São basicamente lojas online, onde são disponibilizados pequenos programas ou aplicativos para uso nos telemóveis, sobretudo nos smartphones, e nos notebooks ou portáteis.
A estreia deu-se com a Apple, que já não surpreende com as suas iniciativas a marcar os ciclos de negócio votados ao sucesso. No seu estilo inovador e de aposta na qualidade, em Julho de 2008, a Apple abre uma loja que ao cabo de um mês já era uma referência. A App Store dedicada ao iPhone e iPod conseguiu num mês a venda de 60 milhões de programas. A própria Apple ficou surpreendida com a taxa de adesão às suas propostas.

Limpar armas

Uma série de outras empresas se seguiram e criaram as suas próprias lojas com soluções exclusivas ou de terceiros. Sobre este tema, circula a opinião entre o meio de que a reacção do mercado não foi muito saudável nem é favorável ao consumidor final. Multiplicam-se as app stores que, em vez de constituirem uma alternativa, acabam por copiar a vizinha. A falta de dferenciação, agravada pelo facto de algumas das stores não terem nem tradição nem comunidade de desenvolvimento ou programas originais de raiz, desvirtua o potencial que possa estar assoicado a este tipo de iniciativa.

À medida que a tecnologia evolui para programas cada vez mais simples, fáceis de usar, quase sem necessidade de instalação, e para aplicações que integram outras, verifica-se um crispar de tensão entre as empresas. E a concorrência deixa de ocorrer apenas entre actores do mesmo sector, para se estender a todos os sectores. Se a guerra era em tempos entre a Apple e a Microsoft, enquanto fabricantes de sistema operativo, há já algum tempo que entraram ao barulho os fabricantes de telemóveis e mais recentemente os fornecedores de acesso à Internet. Todos desejam disponibilizar as melhores aplicações, os programas mais ricos em experiências aos seus clientes.

copyright 2009 Gizmodo

Portanto, a tendência será para esta multiplicação das App Stores se verificar nos próximos tempos, mesmo ao nível nacional. E a testemunhá-lo, recebi ainda ontem uma mensagem da Optimus a dar notícia dos serviços da AppStore do Portal Optimus Zone. O mesmo fazem os outras redes de telemóveis, impulsionadas pela nova vaga de aplicações “à la carte”. Veja-se a guerra entre a TMN e a Vodafone pela plataforma Android.

Funcionamento das App Stores

A chave do sucesso destas lojas assenta numa lição antiga e bem sucedida do software livre, que está associada à co-autoria e participação no desenvolvimento de novos programas. A diferença é que tudo se passa debaixo de um novo modelo de negócio, com vantagens para todas as partes, mas em particular para os promotores que nunca conseguiriam tal proeza não fosse o efeito comunidade.

E as três partes interessadas são: promotores da loja, programadores espalhados pelo mundo, consumidores. Os promotores disponibilizam a plataforma, as ferramentas de desenvolvimento e o marketing. Os programadores criam novas aplicações, integram-nas com outras já existentes, estendem o uso de programas a outros dispositivos, combinam aplicativos, resultando daí produtos vedetas que, por excentricidade ou grande pragmatismo, conquistam a atenção e o interesse dos utilizadores. Os clientes visitam frequentemente essas lojas à procura da aplicação que faltava, da que está na moda, ou da que os amigos têm. Frequentam, recomendam e opinam sobre estes aplicativos, mas também os testam e experimentam, propondo melhorias. Além de todo este tráfego gerado, fazem compras e arrastam novos interessados.

E não se substime o poder que os grupos têm no sucesso destes modelos de negócio. Cruzei-me com uma crítica de um utilizador da plataforma AppStore que reclamava desejar saber, quando acede à plataforma, que aplicações os amigos escolheram e quais as que mais gostam. Este efeito de massa explica o sucesso de aplicativos como o iBeer ou o Rolando. O iBeer é uma brincadeira divertida feita com o iPhone. O iPhone transforma-se em copo de cerveja e a pessoa pode simular que bebe. Trata-se de uma brincadeira, um gadget, mas dos mais falados e mais experimentado.

O Rolando, com 700 mil downloads em 3 meses, conheceu grande popularidade e a saga continua. O que é interessante sublinhar é o sucesso do autor, a quem tinham sido fechadas repetidas vezes as portas de empresas de jogos por alegada falta d eexperiência. Na AppStore, não só foi possível criar o jogo como, do êxito alcançado, abrir a sua própria empresa, a HandCircus no Reino Unido. Este jogo marca um registo novo na forma de jogar. Os críticos achavam que sem botões não seria viável o jogo, mas atentem um pouco no vídeo, que desmente essa opinião. Tudo se faz sobre o ecrã sem lançar mão de qualquer botão. Cham-se Rolando porque as criaturas são redondas e rolam, tendo-se que fazer explodir os mauzões para desbloquear as passagens.

Na relação loja-programadores, o processo mais comum é o registo inicial na plataforma, que dá acesso às condições para criar e recriar aplicativos – ferramentas, contactos com a comunidade de programadores e feedback dos utilizadores. Uma vez criado o software, é submetido à aprovação e validação pela empresa promotora da store, sendo escolhido a modalidade para disponibilização aos clientes. Das vendas, o programador fica com 70 ou 80% e o resto é da empresa, responsável pela loja.

A chave para a sustentabilidade

O negócio alimenta-se das vendas, obviamente, das taxas cobradas aos programadores pelo uso da plataforma e das ferramentas profissionais e do imenso tráfego que geram. Também parece óbvio o ganho resultante do crescimento e da visibilidade alcançados num curto espaço de tempo. Em tempo record, as lojas bem sucedidas conseguem uma diversidade de aplicações que tornam o seu produto base mais atractivo, mais interessante e mais vendável. Nenhuma empresa dispõe de tempo útil nem recursos para realizar o mesmo feito.

Loja e programadores dividem os lucros e esperam ter compradores satisfeitos. Sobre a propriedade intelectual das aplicações criadas na plataforma, tudo indica que sejam da empresa, dona da store, embora essa questão merecesse esclarecimentos nos termos de uso.

O sucesso destas stores explica-se pelos preços praticados, gratuitos ou a começar nos $0,99, ultrapassando dificilmente a barreira dos $10. Porém, a RIM tem aplicações com custo de $100. Outro factor de sucesso é a diversidade de aplicativos, embora uma análise recente à AppStore indique que apenas 5% dos programas tem uma base de utilizadores ampla, ou seja, acima dos 100 mil downloads. Um sem número de programas estão esquecidos sem grande possibilidade de uso. De qualquer forma, como lidamos à escala global, um programa bem sucedido representa ganhos enormes.

Condição de base para o sucesso está no uso de normas standard e abertas, pois só desta forma viabilizam a integração entre aplicações e universalizam o seu uso, sem condicionamentos de plataforma ou dispositivo.

Algumas App Stores em análise

Da série de App, dei prioridade às que actuam no cenário global. No levantamento realizado, tentei caracterizar o melhor possível cada projecto e, depois, considerei a oferta dirigida aos consumidores e aos programadores.

Segue o quadro-síntese e uma série de comentários motivados pelos dados recolhidos.

appstores_quadro

É óbvia a semelhança entre os projectos, sendo os mais singulares o do Google e o da Sun. A recente vaga de lançamentos de lojas ocorre um ano depois da proeza da Apple, o que é muito tempo neste sector. Isto só prova que os concorrentes foram apanhados desprevenidos e tardiamente se aperceberam do potencial inerente a este modelo de negócio.

O tamanho do mercado neste negócio é algo bastante sensível e condição de sucesso. Se a Apple conseguiu a projecção, sendo por norma uma comunidade minoritária, quando comparada com outras, imagine-se o efeito que pode vir a desencadear a JavaStore, quando a comunidade de programadores de Java é incomparavelmente maior (crê-se que serão 800 milhões activos). Também existem lojas mais orientadas para o mercado empresarial, caso da Nokia, RIM, Microsoft, enquanto a Apple está muito colada à camada jovem e ao lazer, música e jogos. A Microsoft apresenta o problema de não ser para já cross-platform, ou seja, as aplicações só funcionam em dispositivos Windows. A contrariar esta tendência, a Sun lançou um desafio à Apple, propondo-lhe que alinhasse no desenvolvimento do virtualizador Java para o iPhone, permitindo correr aí programas Java. No entanto, a Apple recusou, provavelmente com medo de perder lucros e de dar aos utilizadores iPhone ou iPod a possibilidade de escolher e migrar para outras plataformas.

O número de downloads exprime bem o patamar de acção destas lojas. No entanto, nem sempre tudo corre bem. No caso da Nokia, o lançamento saldou-se num fracasso, por ter ainda poucas aplicações. Para termos noção do que é aceitável para o público, basta dizer que a Apple tem na sua store 35 mil programas (mas encontrei referências a 50000!) das mais diversas áreas e circunstâncias. É difícil neste universo, um utilizador não encontrar uma que lhe encha as medidas!

Há depois outras situações. Veja-se o exemplo do Windows Mobile Market que se apresentou na abertura com 600 programas, mas que na realidade tudo aponta que disponha de mais de 20000 programas noutras plataformas e parceiros. A Microsoft optou por seleccionar as melhores e não centralizar a totalidade das aplicações na sua store.

Relativamente à oferta dos programas prontos a descarregar e a consumir, há em todas as lojas a modalidade do gratuito e do pago. Os preços são acessíveis de uma maneira geral e estão de acordo com a mais valia dada pelo software que se adquire. Em geral é possível reinstalar o programa as vezes que se desejar ou um número determinado de vezes, mas sempre no tipo de dispositivo para que foi adquirido.

A natureza das aplicações cobre quase sempre o telemóvel e os notebooks/ portáteis, mas há plataforma ssó para mobile e a plataforma JavaStore/ javaWarehouse que quer apostar no mercado do desktop, onde tem menos peso.

Umas últimas linhas para os casos mais especiais e diferenciadores: o Android e o Java. Ambos estão alinhados pela filosofia Open source, tendo o Google criado a Open Handset Alliance que reúne 34 membros (HTC, Motorolla, Google, T-Mobile…) com vista à concretização do projecto, pois são eles o garante de contribuições e consolidação do programa. Num caso e noutro, a plataforma é Linux e a linguagem é Java.

A JavaStore é promissora pelo facto do Java ser muito conhecido e utilizado, tendo sido um impulsionador dos milhares de aplicações que cedo inundaram o campo dos telemóveis. Todavia, a aposta da Sun vai para o campo dos netbooks e portáteis, onde têm pouca representatividade. Aliás, o projecto é ambicioso ao ponto de estabelecer como objectivo a criação e desenvolvimento de aplicações para browser, desktop, telemóvel e TV.

Em próximo post, seleccionarei algumas apps de sucesso do iPhone, as que têm feito furor, mas sobretudo as que podem ser úteis no dia a dia ou que simplesmente assentam em conceitos curiosos.

Windows 7 (beta) fará esquecer o Vista?

Steve Ballmer anunciou na Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas a versão beta do Windows 7, cujo lançamento de versão definitiva está agendado para inícios de 2010. Durante este ano, a empresa prevê melhorar o sistema operativo e receber o feedback dos utilizadores.

Num estilo muito próprio, Steve Ballmer deu show, mas não convenceu 100%. Está muito fresca a má experiência com o Vista e é já famosa a tendência para o exagero das promessas da Microsoft. Em 2007, quando o Vista foi lançado, comentou-se que era um sistema revolucionário. É até bastante curioso passar revista a algumas imagens e notícias dessa época.

Repare-se nos slogans escolhidos para definir o Vista.

Este reparo não significa incapacidade em reconhecer as virtudes do sistema operativo da Microsoft. Essa versão do Windows apresentou-se com um aspecto gráfico cuidado e melhorou o áudio e a pesquisa. Mas os muitos problemas relacionados com incompatibilidades entre o hardware e o software, os bugs sem conta, a lentidão do sistema e a falta de sincronização entre aplicações (Vista Mail e versão mobile), ofuscaram a novidade e o lado inovador.

Estratégia

A nova versão do Windows, a sétima, daí que a designação oficial tenha sido “Windows7”, contraria a previsão da Gartner, aquando do lançamento do Vista. Segundo esta, tudo indicava que o Vista fechasse um ciclo e fosse o último representante da família Windows dos sistemas operativos para PC.  A geração seguinte seria de sistema operativo web based e modular, como começa a ser tendência, mesmo em aplicações específicas. Mas em 2 anos, contrariando as expectativas, a empresa faz sair uma versão beta para PC. Convém dizer que o Vista precisou de 5 anos completos de desenvolvimento.

O esforço de investimento e energias para conseguir o Windows7 em tempo recorde tem também muito da nova dinâmica do desenvolvimento em rede e da maior exposição ao feedback do público. A versão beta é open e dirige-se aos tradicionais PC, mas também aos populares notebooks.

Aproveitando a velha máxima da publicidade da Apple, que contrapunha um Mac a um PC (com Windows), e ficou famosa com a frase “I’m a Mac“, a Microsoft lançou uma campanha com o slogan “I’m a PC”. O próprio Steve Ballmer deu o seu contributo. A ideia é associar o PC à experiência de estar ligado ao mundo, sem paredes, via PC, telemóvel, web, em trabalho ou em lazer, mas sempre com Windows.

Are you a PC? Upload yourself

Imagine a life without walls

Your email in one/ Games it’s ok and play/ Sharing photos/ Entertainment to go

Características do Windows7

Anuncia-se mais rápido, tanto a arrancar como a trabalhar, fácil de instalar, dispondo mesmo de uma secção “Devices & Printers” que permite um controlo maior sobre o sistema. Apesar da Microsoft considerar tratar-se de uma versão maior, vários especialistas crêem que se trata de um restyling do Vista, só que com os bugs fixados e resolvidos.

O sistema, que expirará em finais de 2009, obrigando os utilizadores que usarem até lá a versão beta a adquirir a definitiva, traz as seguintes aplicações:

  • Windows mail – cliente de email básico, mas funcional. Em alternativa, a pessoa pode usar o Windows Live Mail, que não integra em termos de imagem, com o Windows7.
  • Internet Explorer 8 – navegador pouco intuitivo e que parece impor-se aos utilizadores. Se o desejo é seleccionar outro navegador para trabalhar, é necessário reconfigurar tudo em “my settings” e desactivar o “universo Windows” que daí decorre. Porque associado ao navegador impõe-se: o cliente de correio – Live mail, os mapas – Live Maps; o blog – Windows Live Spaces; a tradução – Windows Live; a enciclopédia – Encarta. Por ser uma versão beta, são várias as queixas de que bloqueia, valendo a característica copiada do Safari e do Firefox de recuperar a pesquisa antes do problema (Automatic Crash Recovery). Outra acusação, materializada recentemente, está relacionada com a maior vulnerabilidade do browser, embora outros navegadores – como o Firefox, não estejam livres de riscos.
  • Windows Media Player – é unânime a opinião favorável, porque é uma aplicação eficiente e porque simplifica o que outras complicam ao apresentarem playlists, votações, etc., não solicitados.

Na organização da informação, o Windows marca pontos, ainda que não seja inovador, ao colocar na barra inferior os íconos das aplicações abertas, bem ao jeito da Apple. Esta opção permite ver a lista dos documentos existentes de determinada aplicação quando se passa por cima do ícono. São as chamadas Jumplists, complementadas pelos thumbnails dos documentos. Estas modalidades de visualização prévia da informação do documento poupam cliques e tempo.

Ainda no capítulo da arrumação mais eficiente da informação, o sistema apresenta numa só consulta a totalidade de documentos áudio, por exemplo, que existem nos diferentes drivers, pastas, etc. A recuperação não depende da localização dos ficheiros, pelo que o processo de pesquisa fica mais transparente para o utilizador. Esta melhoria vem na linha dos esforços que a Microsoft desenvolve desde a década de 90 para obter uma combinação feliz entre sistema de base de dados relacionais e sistema de ficheiros (WinFS Windowws Future Storage), mas não é a materialização desse objectivo. Na realidade, o sistema de organização continua a ser o dos ficheiros que usam alguma metainformação para recuperar a informação, porém não se vai ao limite de associar os metadados na exaustão como no caso de uma base de dados relacional.

Uma outra característica apreciada são os Homegroups, uma espécie de P2P local. Esta funcionalidade promove a partilha de recursos entre os elementos de uma rede local, uma intranet. Podem ser partilhadas impressoras, fotos, música, vídeos, documentos. O utilizador cria o grupo e convida outros a integrarem o seu grupo de contactos. Na prática, cada membro vê e acede às pastas de terceiros a partir do seu sistema de ficheiros.

Conclusão

A Microsoft é uma empresa que se mobiliza e procura incansavelmente novas oportunidades. É esmagadora a quantidade de produtos que desenvolve e os muitos projectos em que está envolvida, alguns de longa data. As suas campanhas e agressividade comercial são sobejamente conhecidas e a publicidade é forte. No entanto, este carácter tentacular volta-se por vezes contra a própria empresa. Há ideias antigas brilhantes que foram abandonadas, há descontinuação de produto, há licenças caras por produtos com bugs inaceitáveis, há pouca liberdade de escolha para o utilizador, há uma pulverização de produtos e serviços. Se é possível em qualquer empresa consultar num mesmo site a lista completa de serviços e produtos, no caso da Microsoft, irrita, porque existe um site oficial por cada produto. A dispersão é imensa!

Sobre o Windows7, creio que a empresa dá um passo em frente ao disponibilizar uma versão gratuita. O objectivo é encurtar o tempo de testes e usar o campo de ensaio mais activo e rigoroso de todos – a comunidade internauta. O software livre já descobriu essa realidade há décadas, embora não o fizesse com o propósito de melhorar o produto à custa das pessoas, cobrando-o mais tarde.

São, no entanto, duas posturas, ambas respeitáveis e ambas funcionam. Esperemos, porém, que o Windows7 tenha um melhor acolhimento que o seu antecessor.

Alargar e automatizar o acesso à informação

De há um tempo para cá multiplicam-se as referências relacionadas com conversores e técnicas de pesquisa alargadas. É um passo muito significativo no universo da informação, por isso não queria deixar de abordá-lo aqui, embora reconheça que não tenho um conhecimento cabal da matéria nem uma perspectiva bem delineada do que se está a passar, tal é a catadupa de informações, projectos retomados, abandonados, melhorados, entrecruzados, ou potenciados para diferentes usos.

O mote é normalizar para universalizar

Quem se movimenta na Rede sabe que a sua base do sucesso são os protocolos universais e as normas adoptadas por todos os que nela querem intervir. Regra de ouro para o acesso e a comunicação sem barreiras tecnológicas (e ideológicas, embora este post se ocupe das respostas dadas pela tecnologia para o acesso universal).

À necessidade de protocolos de comunicação universais, estáveis e fiáveis, juntaram-se os indispensáveis conversores de formatos. Uma profusão de formatos texto, áudio, vídeo, imagem, compressão, etc., passaram a povoar a rede. Veja-se a título de exemplo a base de dados do InfoFile.net Pontualmente, temos de converter um formato noutro para podermos aceder à informação, porque a nossa aplicação não lê o formato original de recepção. Essa incompatibilidade é muito frequente em sistemas Windows que não lêem documentos do OpenOffice nem reconhecem o flash tão usual na web.

Porém, e sem que as fases anteriores estejam de todo resolvidas, pois persistem os problemas de codificação das páginas HTML e a eterniza-se a convivência entre formatos mais adoptados e outros menos frequentes ou com código fechado, desenha-se uma fase de alcance bem mais ambicioso e de grande impacto. A conversão já não se coloca entre os formatos de uma mesma família, mas entre famílias de formatos. O que está a ser equacionado não é converter flv em avi (campo do vídeo), mas converter vídeo em texto, texto em áudio, etc.

Um futuro com contornos já visíveis

O universo de informação que consultamos através dos motores de pesquisa é assustadoramente pequeno e pobre em relação ao volume e qualidade da informação realmente disponível. Todos já ouviram falar do iceberg da web profunda, do qual só conhecemos a ponta. Se juntarmos a isso as imensas fontes de informação que estão a ser digitalizadas, a quantidade de documentos audiovisuais, que têm sido o quebra-cabeças na indexação, e a enormidade de ficheiros digitais que estão a ser criados por novas aplicações que não existiam sequer (as gravações das chamadas telefónicas, por exemplo), estamos razoavelmente conscientes do volume de informação que não é tratado nem integrado no fluxo.

Empresas, investigadores, cidadãos, trabalham na procura de soluções. E basta uma simples pesquisa (em qualquer língua) para recuperar software que converte texto em áudio ou áudio em texto. O tratamento da imagem e do vídeo são, porém, mais complexos e estão a ser liderados por empresas como o Google.

As vantagens da conversão são inúmeras e beneficiam todos. Ao utilizador final dão-lhe uma liberdade e flexibilidade até agora impossíveis. As apresentações e o website podem ser complementados com ficheiros áudio a partir de texto sempre que o visitante queira. Ditar texto que é escrito é outra vertente interessante. Mas é óbvio que a conversão da voz humana em texto está sobretudo trabalhada para o inglês e que as técnicas de reconhecimento de voz têm ainda muito que evoluir. Na viagem de carro para o emprego, ouvem-se as notícias, os blogs, o correio electrónico, o relatório que ficou por ler. Deixo o exemplo da enciclopédia Knol que oferece 243 artigos com registo áudio alternativo, basta no formulário de pesquisa avançada activar a opção “Show only knols that can be played back in audio form”.

Uma outra consequência positiva para a sociedade é a acessibilidade para pessoas com deficiência, privadas da capacidade de ouvir ou ver. Existem também soluções que convertem texto em braille e braille em texto ou voz.

Paralelamente, estas tecnologias criam novas oportunidades, beneficiando empresas atentas e inovadoras no desenho de negócios. Com uma ferramenta de conversão do áudio em texto, é possível automatizar a extracção das letras das músicas e oferecer esse extra aos clientes ou criar uma base de dados de letras com pesquisa em full text.

Mas o centro da actividade está no negócio da pesquisa e na janela de oportunidade para uma recuperação da informação mais abrangente e eficaz.

Algumas tecnologias em prova

Como referi anteriormente, as imagens e os vídeos colocam desafios maiores. Não é minha intenção passar a imagem que o único actor neste universo é a empresa Google, porque há certamente outros projectos. Mas por uma questão de comodidade e fácil acesso à informação, centrei os exemplos nesta entidade.

Google Image Labeler

Cada vez é mais frequente as empresas usarem a chamada inteligência colectiva para melhorar os seus produtos. Google Image Labeler apela à colaboração dos utilizadores de Gogole Search no sentido de ajudarem a melhorar os resultados na pesquisa das imagens. Este é um processo que está a ser adoptado por várias instituições, como a Library of Congress no Flickr, que aproveita o voluntarismo para enriquecer os metadados associados às imagens, tratando fondos grandes em pouco tempo. No artigo do blog da BC os números de visualizações, comentários e o impressionante númerod e etiquetas em todas as línguas.

A aplicação do Google Image Labeler dá à pessoa dois minutos e pretende que ela acrescente tantas etiquetas quantas as que conseguir recordar e associar à imagem. Dois aspectos devem ser tidos em linha de conta: propor etiquetas que ainda não tenham sido sugeridas pelo nosso adversário; procurar sugerir etiquetas específicas. É mais importante identificar na imagem o tipo de pássaro, por exemplo andorinha, que dizer simplesmente pássaro. Suponho que os utilizadores contribuam generosamente, porque o serviço foi concebido numa base de jogo e torna-se muito aliciante. Desconheço se é possível sugerir etiquetas noutras línguas.

Segue a minha experiência. É possível ver no canto superior esquerdo o contador do tempo e os pontos; e do lado direito, as etiquetas já sugeridas pelo adversário.

googleimagelabeler

Google Translation Center e Google Translator

A tradução de páginas web foi um dos serviços precoces da rede, havendo muita oferta. Porém, a iniciativa do centro de tradução do Google visava revolucionar e optimizar o processo de tradução automática. Pela primeira vez, foi possível traduzir línguas como o árabe para inglês e vice-versa com taxas de sucesso consideráveis. A técnica utilizada foi usar um corpus de textos traduzidos por humanos que se deu ao sistema, servindo-lhe de padrão. No caso, foram usados milhões de textos da ONU em várias línguas. Esta “aprendizagem” pelo exemplo permitiu resultados excepcionais e foi possível aperfeiçoar ainda mais o sistema com as introdução das correcções facultadas pelos tradutores humanos que se associaram ao projecto.

Lembro-me, não há muito tempo, que na página do centro era possível requisitar traduções ou tradutores e também registar-se como tradutor profissional ou amador. Essas pessoas encarregavam-se das revisões dos erros na tradução automática. Neste momento, esse serviço está reservado a colaboradores registados.

O principal objectivo deste projecto foi desenvolver um sistema eficaz de tradução que permitisse incorporar materiais até aí inacessíveis ao motor de pesquisa. Além disso, com esta técnica é possível recuperar informação em várias línguas quando a expressão de pesquisa se faz numa língua específica. Até aqui, pesquisar “história dos computadores” era diferente de “computing history”. A tendência vai no sentido de a língua da pessoa que interroga a base de dados não influir na recuperação dos resultados. Salvo se esta decide restringir os resultados por língua.

Um efeito colateral foi a criação e disponibilização do serviço doméstico do Google Translator.

Tesseract OCR

A política mais recente do Google tem sido abrir o código. Na secção Google Code é possível descarregar o software que a empresa usa no reconhecimento de caracteres de documentos digitalizados. Este software faz o reconhecimento óptico de caracteres. O scanner produz uma imagem que muitas vezes é colocada tal e qual na web sem que seja possível a exploração do texto, o que impede os motores de indexarem esse material.

Com o Tesseract os resultados não são um reconhecimento 100% perfeito, mas é mais que suficiente para a extracção de 80 a 90% do conteúdo. É uma tecnologia desenvolvida pela HP e posteriormente retomada pelo Google.

No site oficial do Google, o artigo A picture of a thousand words descreve bem a problemática inerente à digitalização. Todo o documento é transformado numa imagem digital que tem de ser processada – ou seja é preciso converter a imagem em texto. A dificuldade está em ensinar ao sistema a distinguir uma imagem de um caracter.

EveryZing, Youtube, GAudi

É antigo o sonho de tratar exaustivamente imagens e vídeos extraindo-lhes o máximo de informação. Mas até há bem pouco tempo e apesar de vários projectos –incluso o SpeechBot da HP– os resultados eram pouco promissores numa aplicação comercial e a grande escala. Assim, durante muito tempo, a única informação disponível para recuperar este tipo de ficheiro foram os dados técnicos ou, mais recentemente, algumas categorias temáticas, por assim dizer. No Google Search Image podemos desde há muito seleccionar fotos por tamanho, formato e até cor (p&b, tons cinza e cor). Mas também é possível seleccionar as imagens obtidas numa determinada pesquisa por conteúdo noticioso, conteúdo fotográfico ou caras. Nesta recuperação funciona a tércnica dos clusters, isto é, agrupam-se imagens com características comuns, tomando por base a informação contida nos URL (permite, por exemplo destacar o conteúdo noticioso), nos títulos e na descrição da imagem.

No exemplo apresentado, deixo as imagens de rostos de pessoas que de alguma forma estão associadas à expressão de pesquisa lançada: “guantánamo”.

googlesearchimage
Em Julho de 2007, Google regista na WIPO a patente para uma tecnologia que tem estado a ensaiar no EveryZing (antigo Podzinger), e que, uma vez testada e amadurecida, é transferida para o Google Audio Indexing (GAudi).

Essa tecnologia anuncia-se capaz de extrair o texto presente em imagens e vídeos. No primeiro caso, identifica e recolhe todas as marcas textuais (vamos imaginar uma imagem de uma cidade), ou seja, nomes de ruas, texto da sinalização, expressões dos estabelecimentos comerciais e edifícios. No segundo caso, além destes elementos do contexto, extrai o texto dito por pessoas.

O EveryZing está a funcionar como laboratório do GAudi e apresenta muito mais vídeos e categorias para pesquisa. O GAudi neste momento só dispõe do tema das eleições americanas com base no discurso de vários políticos. Quem desejar pode instalar no iGoogle o gadget “Elections Video Search”.

electionsvideosearchSe compararmos a pesquisa do mesmo vídeo no serviço do Youtube ou Google Video e no EveryZing, obteremos resultados distintos quanto à precisão. Enquanto no Youtube e no Google Video a pesquisa se continua a fazer com base nos textos dos títulos, na descrição do vídeo e no URL; no EveryZing a pesquisa faz-se no próprio texto pronunciado pelas pessoas.

No exemplo dado, seleccionei previamente um vídeo e uma parte do discurso. Lancei a pesquisa num e noutro motor com o critério de que me pesquisasse exactamente aquela frase. Como era de prever, recuperei o vídeo no EveryZing, mas não no Youtube ou no Google Video, apesar do vídeo em questão se encontrar nessas colecções. No futuro, estas ferramentas serão certamente estendidas a todos os produtos da empresa.

googlevideoyoutube

Deixo agora o ecrã do EveryZing.

everyzing

Picasa

Para rematar, apresento uma última técnica que está a ser trabalhada e que contribui para um acesso a mais informação e por mais pessoas.

O serviço Google Picasa ajuda à catalogação das fotos ao disponibilizar uma tecnologia que procura similitude nas expressões faciais de fotos de pessoas. O mesmo já está a ser aplicado nos vídeos e os principais motores de pesquisa – Google, Live Search e Exalead, já têm incorporada essa característica.