As atenções voltadas para os data center

O data center é uma infra-estrutura composta pelos sistemas computacionais e serviços associados, como o de comunicações (e-mail, acesso à Internet), armazenamento, segurança e backup de dados. O seu bom funcionamento depende do uso de normas e protocolos como o IP, mas também de uma série de condições ambientais e requisitos apertados de segurança e monitorização da totalidade do sistema. O conceito vem desde os primeiros grandes computadores – mainframes, que requeriam condições de funcionamento e manutenção tal como nos data center actuais, embora hoje essa exigência decorra mais da complexidade e da permanente solicitação a que as redes e infraestruturas estão sujeitas. Um data center possui geralmente:

  • sistemas de redundância e de backup para evitar perdas, quando falha a electricidade por exemplo;
  • conexões alternativas em momentos de grande tráfego ou de ameaças e ataques;
  • controlo das condições ambientais (ar condicionado para controlar a humidade e a temperatura, evitando as condensações e a electricidade estática, sistemas de detecção, prevenção e combate ao fogo) e
  • dispositivos de segurança como a VPN gateway, firewalls, sistema de detecção de intrusos, backup encriptados entre data centers.

Actualidade do tema “Data centers”

Uma série de factores têm lançado os data centers para a primeira linha, entre os quais o avanço do cloud computing (ao nível da infraestrutura – IssS Infrastructure as a Service), o cenário de crise, o aquecimento global e a necessidade de reduzir custos, tanto económicos como ambientais, e de melhorar a eficiência a todos os níveis – espaço, energia, segurança, escalabilidade dos sistemas. Outsourcing, auditorias de eficiência, sistemas à medida das necessidades a cada momento, são cada vez mais as palavras que orientam as decisões nas empresas em matéria de infraestrutura de informação. Em medida superior, esse interesse é manifesto nas empresas que movem meios para oferecer serviços com excelente qualidade. Nessa medida, não são raras as fusões e alianças entre empresas para conseguir cobrir o largo espectro de necessidades que um data center implica.

Empresas no mercado dos data centers

Só empresas de grande porte têm capacidade para avançar com modelos de negócio que abarcam todo o ciclo de vida do data center. Cisco, HP, IBM, anunciam serviços de data center que incluem: instalação e manutenção do hardware, segurança da rede de ataques e acessos, backup, actualização imediata do software, migração.

A HP, que presta o serviço na modalidade cloud computing com o SAP, orienta-se primeiramente para as PME, mas antevê o interesse deste tipo de produto em empresas petrolíferas e de animação.

Porém, um exemplo bastante interessante e com a informação organizada e abundante nesta área tem sido o da Sun Microsystems. Não foi por acaso que o gigante azul namorou a Sun. Porém, a Oracle levou a melhor…

A característica comum a todos os serviços da Sun está na preocupação com a eficiência, a redução dos custos e o respeito ambiental. Assentam a estratégia na virtualização, na optimização da estrutura actual, após auditoria, quer da capacidade de processamento, quer da redução da factura energética. A criação do OpenEco.org é prova dessa política estratégica.

Esta empresa propõe-se combater os números negros das infraestruturas de IT que são acusadas em relatório da EPA de ter duplicado o consumo energético entre 2000 e 2006, e ainda de possuírem sistemas de arrefecimento que representam 50% de toda a energia.

A promessa aponta para um aumento da capacidade de processamento de 456% e de armazenamento de 244%, com reduções de 60% em gastos energéticos.

Apesar de ter sido mencionada a iniciativa da Sun, não faltam projectos e listas de recomendações na área do Green IT, e mesmo empresas como a AISO, da área do alojamento em cloud, que é considerada uma das 50 mais verdes pelo facto de utilizar só energia limpa.

Os conselhos vão por duas vias: evitar o desperdício e melhorar a performance da estrutura já existente e recorrer a técnicas e mecanismos mais ecológicos e capazes. Alguns exemplos: medir a eficiência, melhorar o sistema de arrefecimento, virtualizar o armazenamento, substituir servidores antigos e pouco eficientes, usar energias renováveis.

Tendências que se desenham

Será inevitável a evolução para data center mais ecológicos, mas também mais seguros e em formato cloud computing.

Não há data centers invioláveis, mas é certo que os seus sistemas de segurança, redundância, monitorização, são superiores aos de qualquer empresa. Estão localizados em zonas anti-sísmicas, alguns deles estão sedeados em antigos bunkers, pedreiras. O da Microfil em Esmoriz foi considerado muito seguro e só assim foi possível ser escolhido para guardar documentos da NATO. Neste negócio, não se regateia em matéria de sistemas de segurança activos, sejam eles activos ou passivos.

O calcanhar de Aquiles é mesmo o facto de constituírem alvos preferenciais de ataques, por serem a “sede de dados” de muitas empresas. O caso recente do apagão do data center do Google na Europa é prova disso ou a ameaça crescente de worms sofisticados e agressivos, com efeitos virais impressionantes, como se imagina que seja o Conflikter.

Sem deixar de ter presente os riscos inerentes aos data centers – todos os ovos na cesta à guarda de terceiros, é razoável acreditar que a evolução nesse sentido dar-se-á, até pelas razões já apontadas do porquê dos data center na moda.

A elevada complexidade e exigência dos sistemas, o cenário de mudança rápida em que as empresas operam, a maior exigência no controlo dos gastos, obrigam a:

  • manutenção quase permanente, incomportável na maioria das empresas, porque não há dinheiro nem equipa para tal,
  • investimentos avultados num dado momento em que se prevêem necessidades a médio prazo que poderão não se verificar, por exemplo a expansão ou a internacionalização ficam adiadas por 2 anos, tempos suficiente para votar ao fracasso todo o investimento em TI realizado.

Subscrever um serviço que dá todas as garantias e em termos de gastos é um custo mensal fixo, torna-se muito atraente.

É claro que as empresas que entram neste negócio estão interessadas em tornar os data center boa opção aos olhos dos decisores, porque os investimentos na criação de uma infraestrutura destas é tão brutal que precisam de ter muitos e bons clientes e taxa de uso dos data center bem próximas do óptimo. A lógica da escala parece interessar ambos os intervenientes, empresas e fornecedores dos serviços.

Soluções de vanguarda

Começou por se verificar um cuidado crescente na escolha dos sítios para os data center – zonas com fonte energética barata e abundante e afastadas de pessoas, que potenciam os riscos. Mas isso já não basta, por isso as alternativas têm de ser mais criativas e vanguardistas.

Além da virtualização e do uso de energias limpas, equaciona-se cada vez mais a localização dos data centers em sítios à partida improváveis – no alto mar. A patente é do Google e a ideia é aproveitar a energia das águas para alimentar o centro, afastá-lo de zonas de risco e evitar taxas e impostos, por se situar em águas internacionais. As máquinas estariam em contentores e poderiam ser transportadas em navios, facilitando a substituição e manutenção. A comunicação com a terra seria por cabo.

A Intel está testar data centers alimentados a painéis fotovoltaicos. A Liquid Computing fala de data center dinâmicos que se adaptam às necessidades em cada momento das empresas.

Dados que impressionam

Sobre este assunto em particular, recomendo os sítios Data Center Knowledge e ZDNet Data Center Videos. Mas proponho com o mesmo entusiasmo o The Green Enterprise da ZDNet que aborda a questão da ecologia nas empresas de forma mais abrangente e bastante interessante. Tive oportunidade de conhecer o programa do OpenWork da Sun, o software Green Building Studio que está a ser desenvolvido pela Autodesk e que serve para melhorar o desenho dos edifícios em termos de ecoeficiência.

Mas não queria terminar sem dar alguns números do consumo de energia dos data center que nos devem fazer pensar. Um data center de tamanho médio representa, em termos de poluição, 2200 carros a circular todo um ano. Ainda no capítulo do consumo energético, cientistas questionaram-se se seria mais ecológico ver TV ou pesquisar no Google. Os cálculos revelaram que o uso da Internet é bem mais poluente. Realizar duas pesquisas no Google equivale a ferver uma cafeteira de chá em termos de emissão de CO2.

Para terminar, fica um curto vídeo que mostra claramente o que é um data center por dentro, no caso o da Oracle em Austin. Segurança ao máximo, sistemas de arrefecimento também, e, ainda, reforço com energia eólica.

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