Windows 7 (beta) fará esquecer o Vista?

Steve Ballmer anunciou na Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas a versão beta do Windows 7, cujo lançamento de versão definitiva está agendado para inícios de 2010. Durante este ano, a empresa prevê melhorar o sistema operativo e receber o feedback dos utilizadores.

Num estilo muito próprio, Steve Ballmer deu show, mas não convenceu 100%. Está muito fresca a má experiência com o Vista e é já famosa a tendência para o exagero das promessas da Microsoft. Em 2007, quando o Vista foi lançado, comentou-se que era um sistema revolucionário. É até bastante curioso passar revista a algumas imagens e notícias dessa época.

Repare-se nos slogans escolhidos para definir o Vista.

Este reparo não significa incapacidade em reconhecer as virtudes do sistema operativo da Microsoft. Essa versão do Windows apresentou-se com um aspecto gráfico cuidado e melhorou o áudio e a pesquisa. Mas os muitos problemas relacionados com incompatibilidades entre o hardware e o software, os bugs sem conta, a lentidão do sistema e a falta de sincronização entre aplicações (Vista Mail e versão mobile), ofuscaram a novidade e o lado inovador.

Estratégia

A nova versão do Windows, a sétima, daí que a designação oficial tenha sido “Windows7”, contraria a previsão da Gartner, aquando do lançamento do Vista. Segundo esta, tudo indicava que o Vista fechasse um ciclo e fosse o último representante da família Windows dos sistemas operativos para PC.  A geração seguinte seria de sistema operativo web based e modular, como começa a ser tendência, mesmo em aplicações específicas. Mas em 2 anos, contrariando as expectativas, a empresa faz sair uma versão beta para PC. Convém dizer que o Vista precisou de 5 anos completos de desenvolvimento.

O esforço de investimento e energias para conseguir o Windows7 em tempo recorde tem também muito da nova dinâmica do desenvolvimento em rede e da maior exposição ao feedback do público. A versão beta é open e dirige-se aos tradicionais PC, mas também aos populares notebooks.

Aproveitando a velha máxima da publicidade da Apple, que contrapunha um Mac a um PC (com Windows), e ficou famosa com a frase “I’m a Mac“, a Microsoft lançou uma campanha com o slogan “I’m a PC”. O próprio Steve Ballmer deu o seu contributo. A ideia é associar o PC à experiência de estar ligado ao mundo, sem paredes, via PC, telemóvel, web, em trabalho ou em lazer, mas sempre com Windows.

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Características do Windows7

Anuncia-se mais rápido, tanto a arrancar como a trabalhar, fácil de instalar, dispondo mesmo de uma secção “Devices & Printers” que permite um controlo maior sobre o sistema. Apesar da Microsoft considerar tratar-se de uma versão maior, vários especialistas crêem que se trata de um restyling do Vista, só que com os bugs fixados e resolvidos.

O sistema, que expirará em finais de 2009, obrigando os utilizadores que usarem até lá a versão beta a adquirir a definitiva, traz as seguintes aplicações:

  • Windows mail – cliente de email básico, mas funcional. Em alternativa, a pessoa pode usar o Windows Live Mail, que não integra em termos de imagem, com o Windows7.
  • Internet Explorer 8 – navegador pouco intuitivo e que parece impor-se aos utilizadores. Se o desejo é seleccionar outro navegador para trabalhar, é necessário reconfigurar tudo em “my settings” e desactivar o “universo Windows” que daí decorre. Porque associado ao navegador impõe-se: o cliente de correio – Live mail, os mapas – Live Maps; o blog – Windows Live Spaces; a tradução – Windows Live; a enciclopédia – Encarta. Por ser uma versão beta, são várias as queixas de que bloqueia, valendo a característica copiada do Safari e do Firefox de recuperar a pesquisa antes do problema (Automatic Crash Recovery). Outra acusação, materializada recentemente, está relacionada com a maior vulnerabilidade do browser, embora outros navegadores – como o Firefox, não estejam livres de riscos.
  • Windows Media Player – é unânime a opinião favorável, porque é uma aplicação eficiente e porque simplifica o que outras complicam ao apresentarem playlists, votações, etc., não solicitados.

Na organização da informação, o Windows marca pontos, ainda que não seja inovador, ao colocar na barra inferior os íconos das aplicações abertas, bem ao jeito da Apple. Esta opção permite ver a lista dos documentos existentes de determinada aplicação quando se passa por cima do ícono. São as chamadas Jumplists, complementadas pelos thumbnails dos documentos. Estas modalidades de visualização prévia da informação do documento poupam cliques e tempo.

Ainda no capítulo da arrumação mais eficiente da informação, o sistema apresenta numa só consulta a totalidade de documentos áudio, por exemplo, que existem nos diferentes drivers, pastas, etc. A recuperação não depende da localização dos ficheiros, pelo que o processo de pesquisa fica mais transparente para o utilizador. Esta melhoria vem na linha dos esforços que a Microsoft desenvolve desde a década de 90 para obter uma combinação feliz entre sistema de base de dados relacionais e sistema de ficheiros (WinFS Windowws Future Storage), mas não é a materialização desse objectivo. Na realidade, o sistema de organização continua a ser o dos ficheiros que usam alguma metainformação para recuperar a informação, porém não se vai ao limite de associar os metadados na exaustão como no caso de uma base de dados relacional.

Uma outra característica apreciada são os Homegroups, uma espécie de P2P local. Esta funcionalidade promove a partilha de recursos entre os elementos de uma rede local, uma intranet. Podem ser partilhadas impressoras, fotos, música, vídeos, documentos. O utilizador cria o grupo e convida outros a integrarem o seu grupo de contactos. Na prática, cada membro vê e acede às pastas de terceiros a partir do seu sistema de ficheiros.

Conclusão

A Microsoft é uma empresa que se mobiliza e procura incansavelmente novas oportunidades. É esmagadora a quantidade de produtos que desenvolve e os muitos projectos em que está envolvida, alguns de longa data. As suas campanhas e agressividade comercial são sobejamente conhecidas e a publicidade é forte. No entanto, este carácter tentacular volta-se por vezes contra a própria empresa. Há ideias antigas brilhantes que foram abandonadas, há descontinuação de produto, há licenças caras por produtos com bugs inaceitáveis, há pouca liberdade de escolha para o utilizador, há uma pulverização de produtos e serviços. Se é possível em qualquer empresa consultar num mesmo site a lista completa de serviços e produtos, no caso da Microsoft, irrita, porque existe um site oficial por cada produto. A dispersão é imensa!

Sobre o Windows7, creio que a empresa dá um passo em frente ao disponibilizar uma versão gratuita. O objectivo é encurtar o tempo de testes e usar o campo de ensaio mais activo e rigoroso de todos – a comunidade internauta. O software livre já descobriu essa realidade há décadas, embora não o fizesse com o propósito de melhorar o produto à custa das pessoas, cobrando-o mais tarde.

São, no entanto, duas posturas, ambas respeitáveis e ambas funcionam. Esperemos, porém, que o Windows7 tenha um melhor acolhimento que o seu antecessor.

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