Todos (re)conhecemos a importância do protocolo OAI-PHM nos repositórios digitais. A normalização e a possibilidade de exportar/ importar metadados massivamente representou uma revolução na visibilidade e na troca eficaz de informação sobre os recursos.
Porém, desde Outubro de 2006, está a ser trabalhada uma especificação do protocolo conhecida como OAI-ORE (Object Reuse and Exchange). O financiamento é da Andrew Mellon Foundation e os corrdenadores do projecto são Carl Lagazote (Universidad de Cornell) e Herbert Van de Sompel (Laboratório de Los Alamos).
É importante dizer que OAI-ORE não substitui OAI-PHM. Ambos trabalham a interoperabilidade, mas a níveis bem diferentes. OAI-PHM está centrado nos metadatos e OAI-ORE ocupa-se dos objectos digitais, os recursos, se quisermos chamar-lhes assim.
Os objectivos da equipa e da comunidade são:
- permitir a troca de recursos entre repositórios distribuídos
- facilitar a reutilização de recursos em diferentes contextos
- inscrever os recursos nos workflows das comunidades a quem esses recursos interessam
Tornar isto realidade implica transformar os repositórios em vértices de uma rede imensa que comunicam (recebem e enviam) com todos os outros actores da Web. As máquinas não sabem o que são repositórios, mas sabem o que são URIs e a ideia é trabalhar os elementos com identificadores e direcções estáveis.
OAI-ORE contempla 3 tipos de elementos:
- recursos, que têm o seu URI
- agregações de recursos, a que também são atribuídos URI
- mapas de recursos, que são representações de recursos e agregações, que têm o seu URI
Recursos, agregações e mapas funcionam como “recursos”, em essência, como descrição, como identificação. Neste processo é fundamental a sintaxe RDF e Atom.
Em termos práticos, é possível:
- recuperar de forma transparente todas as partes de um recurso (páginas, capítulos, volumes de um mesmo recurso);
- controlar e escolher entre versões de um mesmo documento (versão inicial e actualizada de um artigo, livro, etc);
- identificar obras, manifestações e derivações (texto e sua adaptação ao teatro, original e traduções…);
- escolher entre os vários formatos disponíveis para um mesmo recurso;
- cruzar a informação de um artigo científico num repositório (ej. arXiv) com fotos, imagens em outro serviço (ej. Flickr), com dados, desenhos de moléculas noutro repositório temático, com outros artigos em CiteuLike…
A aplicação imediata de ORE é o campo científico e o ensino (repositórios institucionais, repositórios temáticos, dataset warehouse, repositórios de revistas…), mas não é difícil prever que é potencialmente interessante para muitas outras áreas.

