Um volteface ou um golpe de mestre?

No dia 16 de Junho a Microsoft foi aceite como patrocinadora do The Open Source Census (OSC). A notícia foi recebida com muitas reservas e desconfianças por parte da comunidade de software livre e já há quem ponha em causa a credibilidade do projecto OSC, que arrancou em Janeiro de 2008 e tem por objectivo medir o uso do Open Source nas empresas.

The Open Source Census

Mais sobre The Open Source Software Census

O grande objectivo é conhecer os níveis de adopção do software livre nas empresas e contribuir para o aumento do seu uso nesses meios. Para consegui-lo, não são feitas recolhas de dados em formato tradicional, mas através de um software que foi especialmente criado para esse efeito e que o faz automaticamente – OSS Discover.

Cada colaborador do projecto recebe o software que realiza um “scan” às máquinas de uma dada empresa. São apenas recolhidas informações dos pacotes de software utilizado, seja em ambiente Windows, Linux ou outro. Esses dados são depois colocados na Base de Dados geral, sem que seja possível associar a un IP, empresa ou nome específico. Os colaboradores têm acesso privilegiado aos dados e podem realizar benchmarking.

Argumentos a favor… argumentos contra e linhas de actuação

Os argumentos podem ser palavras de força, se apoiadas em condutas coerentes, ou palavras ocas, se não têm, nem no passado recente nem longínquo, práticas condizentes.

Vejamos os argumentos a favor. O projecto OSC é global e colaborativo, aberto a qualquer participante, pelo que a entrada da Microsoft não deveria motivar qualquer oposição da comunidade de Open Source.

Outros argumentos a favor da Microsoft: tem toda a legitimidade de apoiar e participar nos projectos que bem entender e tem o direito a rever a sua estratégia quanto ao software livre. Linus Torvalds sempre disse que a Microsoft poderia ter a sua própria distribuição Linux.

A nota oficial sobre esta iniciativa é a de que o OSC ganha com a heterogeneidade dos participantes e a de que a Microsoft está genuinamente interessada no projecto, porque existem muitos pacotes de software livre que correm em Windows.

Que atitudes recentes da empresa sustentam este súbito interesse pelo Open Source? Talvez um outro facto mediático: recentemente, a Microsoft apoiou o SourceForge.com 2008 Community Choice Awards…

As vozes do contra é que não se calam e as práticas parecem dar-lhes razão.

A “teoria da conspiração” é certamente argumento de filme, mas é legítimo questionar as boas intenções da Micosoft ao aliar-se a este projecto. Se a ideia é cair nas boas graças da comunidade Open Source, o melhor a fazer seria escrever código aberto. Se a intenção é entrar no “negócio” do software livre, então o melhor seria criar software com código aberto. Os mais cépticos vêem neste patrocínio uma forma da empresa ter acesso a dados e conseguir uma base para atacar legalmente empresas e produtos de software aberto mais populares.

Os factos e as práticas recentes apontam para isso: a Microsoft acusa o Open Source de violar 200 das suas patentes.

Juízo de cada um

Quando se lê uma notícia como esta, é difícil esquecer que a Microsoft é uma empresa de código proprietário, que sempre atacou como pôde os seus competidores directos, que abusou e abusa da posição dominante no mercado (multa da União Europeia) e que, recentemente, sujeita a própria indústria do hardware às suas regras e interesses.

O consumidor Windows beneficiaria se houvesse mais bom senso na abordagem da dupla proprietário Vs. livre e a comunidade de open source teria a beneficiar com um participante de peso como a Microsoft.

A solução proprietária e a solução livre não têm que estar em conflito, têm que saber adequar-se e deixar a escolha ao consumidor.

Competições na área da recuperação da informação

Um dos motores da inovação é, quer se goste quer não, a competição e o jogo. É muito comum nas áreas científicas, como astronomia, robótica, inteligência artificial, etc. A área da Information Retrieval também tem as suas competições, as TREC Text REtrieval Conference.
As “conferências-desafios” realizam-se anualmente e a elas concorrem investigadores, a título individual, universidades ou organismos governamentais.
Trata-se de uma iniciativa do NIST National Institut of Standards and Technologies e do Departamento de Defesa norte americano.
A ideia faz lembrar um jogo para passar o tempo, mas que tem imensa importância e impacto no sector da indexação e recuperação automáticas. Muitos produtos comerciais e ferramentas que conhecemos têm incorporadas técnicas que foram trabalhadas nestas competições. Aliás, um dos grandes objectivos da iniciativa é acelerar o processo de transferência tecnológica do meio académico ao mercado e à comunidade. Outro objectivo óbvio é a avaliação de sistemas de indexação e recuperação da informação.

Linhas de trabalho…
Não se pense que estas competições se desenrolam com atenção única à recuperação de texto. Existem uma série de áreas nas quais os candidatos se podem inscrever. Por exemplo: Blog (exploração da pesquisa de informação na blogosfera), Genoma (pesquisa de informação relacionada com a sequência dos genes, mas também com a documentação e laboratórios), Legal, Vídeo, Spam, etc.
Há uma área curiosa que é a das Perguntas. O objectivo é trabalhar a pesquisa e apresentação de informação que não seja um conjunto de textos, mas informação já “elaborada” e especialmente preparada para atender à pregunta realizada. Em geral, essa pregunta é feita em linguagem natural, que é outro trabalho de Hércules…
Uma área com bastante visibilidade, que até originou umas conferências próprias, é a das Línguas. Essas competições chamam-se CLEF (Cross-Language Evaluation Forum) e têm muita expressão na Europa, conhecendo o apoio directo de DELOS Network of Excellence for Digital Libraries. E compreende-se porquê. Não só, porque as colecções são em várias línguas, sobretudo se entendermos a biblioteca digital como sem fronteiras, veja-se o projecto da Biblioteca Digital Europeia, mas também porque cada vez mais os públicos são provenientes de vários países.
Uma pessoa que consulta um sistema de informação na sua língua materna deve recuperar não só os documentos nessa língua, mas todos os que existem, mesmo que noutras línguas. Isto obriga a que os sistemas de indexação e recuperação das colecções estejam preparados para “compreender” a query, a traduzi-la nas línguas em que existem os documentos e a apresentar os mais interessantes para essa necessidade.
É habitual nestes casos o uso de dicionários, tesauros, vocabulários controlados, metadados, ou combinações destes meios. Babelfish, Systran, Globallink Power Translator são algumas das ferramentas que beneficiaram das conferências e do “gozo” colectivo que geram.
Apesar de haver muitas áreas a concurso, o que é natural é que as entidades se especializem num ramo, porque é impossível dominar todas as especificidades. Essa escolha está sempre relacionada com projectos que já desenvolvem nas suas instituições ou com necessidades reais das suas comunidades.

“Regras do jogo”
O funcionamento é simples: existe uma colecção enorme de documentos e um grupo de perguntas (topics). Na colecção geral de documentos estão os que interessa recuperar para cada uma das perguntas (pool), mas é claro que o universo de documentos é muito maior e não se limita aos documentos que se relacionam com as respostas.
O “jogo” consiste em preparar e configurar os sistemas de modo a conseguir nos resultados:

  • recuperar todos os documentos assinalados como relevantes para uma determinada pregunta (recall)
  • ordenar esses documentos relevantes nas primeiras posições do ranking (precision)

Na imagem podemos ver que o sistema B foi mais eficiente que o sistema A, porque recuperou mais documentos do total de relevantes. Já o sistema A apresenta muitos documentos da colecção que não são importantes para a pergunta formulada.

Estudo da Internet: ficção ou realidade?

Um excelente sensor para averiguar as tendências futuras da Internet são os departamentos de investigação de Yahoo e Google. Neste post tratamos de Yahoo Research.

A localização dos centros de investigação de Yahoo Research já diz muito da sua estratégia:

  • 3 nos EUA (Nova Iorque, Califórnia e Silicon Valley),
  • 1 na Europa (Barcelona),
  • 1 no Médio Oriente (Israel),
  • E destaco: 1 na América Latina (Santiago do Chile) e 1 na Índia (Bangalore).

As áreas geográficas emergentes - Ásia e América do Sul, serão determinantes no desenho da Internet, não só como mercados, mas também como dinamizadores e impulsionadores do seu desenvolvimento.

Se atentamos no programa e nas áreas prioritárias de investigação, depressa concluímos que se trata de uma continuidade, mas é uma continuidade exigente e rigorosa que modificará certamente a “face” da Internet que conhecemos hoje.

A aposta de Yahoo está a fazer-se: na pesquisa, sobretudo de imagens e vídeos, na extracção automatizada de informação das páginas web, na classificação e clustering também aplicada a páginas web. Mas uma área fascinante e que revolucionará muito do que conhecemos é a pesquisa na web y o web mining.

É precisamente nessa vertente que encontramos Ricardo Baeza-Yates. É um chileno, investigador e responsável pelas secções da Yahoo Research em Barcelona e em Santiago do Chile. Os seus centros de interesse estão todos orientados para o estudo da web e para a recuperação de informação na web. Ele e a sua equipa centram-se sobretudo nos algoritmos, na estrutura de dados, na pesquisa de bases de dados e multimédia e na melhor forma de visualizar e representar as redes, um trunfo importante neste tipo de estudos.

Nos últimos anos, dois estudos de fundo foram realizados e publicados sobre web de países - “Características de la web de España” (2005) e “Caracterización del espacio web en Argentina” (2007). É impressionante o número de dados que são manipulados nestes trabalhos: dezenas de milhões de páginas e milhares de domínios. É justo perguntar: mas esses números não são uma gota no oceano? Sabe-se que a Internet é uma rede livre de escalas e é redundante. Se a recolha é razoável (no caso de um país são necessárias dezenas de milhões de páginas, dependendo claro está do estado de desenvolvimento da rede), é perfeitamente possível extrapolar com toda a segurança, porque é como se se tivesse recolhido e analisado a totalidade das páginas existentes.

Na Rede, tal como na natureza, nada é aleatório. Leis muito simples regem a sua construção e crescimento e é sobre isso tudo que este ramo de investigação trabalha. São leis como a centralização, a intermediação, o grau de influência, tudo dimensões muito fáceis de compreender e muito similares ao comportamento das redes sociais de sempre.

O valor e uso da informação obtida é estratégico e tem múltiplas aplicações. E os resultados são deveras curiosos, seja pela surpresa seja pela reprodução da realidade na Web.

Por exemplo, é possível saber se um país está a apostar na criação de uma rede com tecnologia aberta ou não através da linguagem, dos servidores, etc., usados na criação das suas páginas. Sabe-se com que países esse país em particular tem relações mais fortes, porque os links o reflectem. Consegue-se medir o contributo de entidades públicas e privadas na construção da rede nacional, etc.

Vale a pena ler os estudos e conhecer um pouco a análise de redes.

A portabilidade levada ao extremo

O conceito de portabilidade sempre foi uma preocupação da indústria e serviços, basta pensar na restauração e no sucesso dos Take away, ou no sector automóvel e na luta pela autonomia do veículo. Na área do hardware e do software verifica-se a mesma tendência: computadores mais leves e finos (veja-se o recente ibooK air de Apple), dispositivos de armazenamento leves, pequenos e de grande capacidade.

Aproveitando a actual capacidade de armazenamento da pen-drive, iPod, discos duros amovíveis, Portable APPS avançou com um produto interessante. Uma suite, conjunto de programas, que são armazenados num desses dispositivos e vão com o seu dono para todo o lado. Todos os programas são software livre com licença GPL. A pessoa não necessita de utilizar aplicações alheias, usa as suas e com a configuração que decidiu - caso do gestor de correio, dos navegador e dos favoritos, etc.

É de facto uma solução inteligente que tira partido das possibilidades tecnológicas e vai ao encontro das necessidades de muitas pessoas - comodidade, autonomia e independência. Uma vantagem inegável é o funcionamento em qualquer computador público a partir do dispositivo sem necessidade de instalação e sem correr o risco de deixar passwords ou informação pessoal.

O funcionamento é simples: existe uma plataforma que é gravada no dispositivo e sobre essa são gravados os programas sugeridos (suite feita) ou elabora-se o pacote de forma personalizada.

As áreas dos programas disponíveis são: acessibilidade, desenvolvimento, jogos, gráficos/ imagens, Internet, música/ vídeo, Office, OS, utilitários. A aplicação mais usada é o navegador Mozilla Firefox.

O processo de instalação é muito simples.

Creio que a tendência futura já está bem delineada: programas portáteis, suites personalizadas, processo de instalação de programas inexistente, sobretudo em aplicações mais usadas. Isto graças a esta solução de aplicações portáteis, mas também ao aparecimento de programas que se utilizam quando estamos conectados, mas que não se instalam localmente (ej. Google Docs).

Welcome to SafariU

São as boas vindas do produto da O’Reilly Media, distribuidora dos livros Safari Books, que foi lançado em Julho de 2005.

A escolha deste tema está intimamente ligada ao post publicado sobre Tim O’Reilly e o paradigma do Open Source. Há gente que não só pensa como age em conformidade. Este produto é a resposta da empresa de Tim à Web e a uma postura mais aberta e participada.

Senão vejamos:

Uso de normas e procura da interoperabilidade. Para aceder, apenas é preciso um simples registo. Não são necessários requisitos especiais para ler, descarregar ou partilhar recursos. As ferramentas são as que qualquer utilizador comum possui para usar a Internet: um navegador!

Arquitectura de participação. O projecto SafariU vive da colecção de livros e artigos da empresa, de uma selecção de sítios web interessantes, mas enriquece sobretudo com as contribuições da comunidade inscrita que troca, aperfeiçoa e desenvolve melhores materiais. O produto final é o que nenhuma empresa do mundo ou grupo de peritos é capaz de produzir e num espaço tão curto de tempo. Esta é a oportunidade para as empresas de que falava Tim, aproveitar e motivar as pessoas para usarem, comprarem e melhorarem os produtos e os serviços.

Adaptação ao utilizador final. O desenho do negócio foi pensado e orientado na sua totalidade pelos interesses dos utilizadores. O professor pode criar, publicar, partilhar e trocar impressões ou reutilizar o material de outros. O aluno tem a possibilidade de adquirir só o que necessita para cada disciplina - um capítulo de um livro, um artigo específico, etc. O cliente fica satisfeito e o produto é vendido a preço justo e adequado a cada circunstância.

Open Source e crescimento sustentado

Uma figura marcante na paisagem actual da Internet e evolução tecnológica é Tim O’Reilly.

Fundador da O’Reilly Media, apoiante do software livre e do movimento Open Source, este irlandês é apontado como o criador do termo Web 2.0.

Tim é um observador atento da evolução da indústria do software e de empresas que cresceram à sombra do software livre.

Para este empresário, o movimento de Open Source é uma oportunidade de ouro para as empresas. O sinal mais elucidativo dessa vitalidade é o uso massivo na Internet de Linux ou baseados em Open Source. Ao nível dos sistemas operativos, o Windows predomina, mas o HTML, o XML, os servidores Apache, as bases de dados MySQL, as linguagens Php, Perl, Python, os navegadores, os serviços 2.0, são fruto de uma tecnologia aberta e baseada em normas. Ou seja, os desenvolvimentos recentes da Internet têm na sua maioria a marca do Open Source. Além disso, a plataforma do futuro não terá por base os PC, mas a Internet, veja-se a oferta de serviços de edição de texto ou imagem, a folha de cálculo, etc. sem que seja necessário instalar qualquer programa no PC.

Porém, para que uma empresa construa um futuro a longo prazo e verdadeiramente sustentável, é forçoso que três condições se cumpram:

Uso de normas e procura de interoperabilidade. O isolamento de um produto ou serviço não sobrevive, porque o mercado exige que haja integração e comunicação de uns com os outros.

A ideia dos críticos que acusam o Open Source de destruir as empresas e de não respeitar a propriedade intelectual é falsa. E Tim expõe as razões: o software não é um fim em si mesmo e constitui apenas uma parte do processo.

Na verdade, segundo este autor, o Open Source dinamiza o mercado, serve o interesse dos consumidores e cria novas oportunidades de negócio, porque ramifica o mercado, reparte essas mesmas oportunidades por empresas mais pequenas e inovadoras.

Ao contrário, a lógica das normas proprietárias, das patentes e do proteccionismo, cria desequilíbrios, desregula o mercado e origina os monopólios.

Arquitectura de participação. Tim relembra que nos primórdios da informática e da Internet, no meio universitário, a filosofia predominante era a da partilha. Além disso, a base da Internet são protocolos abertos, universais. O movimento Open Source não fez mais que ir beber a essas origens de partilha e comunicação. Uma empresa viável é aquela que compreende e valoriza a participação e a dinâmica criada através dela.

Adaptação do software ao utilizador final. Cada vez mais, os produtos e serviços oferecidos não são um resultado, mas um processo, em que cada actor acrescenta valor, incluso os utilizadores.

Por várias vezes, em conferências e livros, Tim O’Reilly menciona os casos bem sucedidos de Google, Amazon, eBay ou Yahoo. Apesar de empresas comerciais, usam base e filosofia de Open Source. A seu segredo foi dar espaço à contribuição do utilizador para criar os efeitos benéficos da rede e apostar na integração, compatibilidade e interoperabilidade entre sistemas e aplicações.

Este autor é da opinião de que Google poderia perfeitamente revelar o famoso algoritmo do PageRank e que Amazon poderia disponibilizar o One Clic, mas que resquícios da lógica comercial os impedem de o fazer.

MESUR, a avaliação multidimensional

A avaliação do impacto é tema de grande actualidade, sobretudo com a recente afirmação de alguns projectos open access ligados a repositórios ou a revistas (arXiv, PLOS). Os lugares de trânsito da comunidade científica estenderam-se a outros meios, vão muito mais além que as publicações do circuito tradicional.

As recentes práticas no ambiente digital, possibilitadas pelos novos serviços e plataformas, pulverizaram e multiplicaram as manifestações da actividade da comunidade académica. Avaliar a produção de um grupo de investigação pelo factor de impacto (ISI Impact Factor) é manifestamente insuficiente.

O projecto MESUR, financiado pela Fundação Andrew W. Mellon, pretende criar um modelo de avaliação mais amplo e imediato dessa actividade e produção.

No seu sítio web encontra-se informação sobre o projecto:

  • Duração: Outubro de 2006 - Outubro de 2008
  • Coordenador: Herbert Van de Sompel (Laboratório de Los Alamos)
  • Investigador principal: Johan Bollen
  • Financiamento: Andrew Mellon W. Foundation
  • Resultados: Modelo formal de avaliação, Linhas de orientação/ recomendações

MESUR diferencia-se das metodologias habituais quanto à abrangência e à avaliação em tempo real. Considera os critérios convencionais - citações, contagem dos clics (visualizações…), mas também tudo o que ocorre nas redes sociais e nos motores de pesquisa.

Parâmetros

Avaliação tradicional

Modelo MESUR

Actualização da informação Existe um intervalo de tempo entre a publicação e a avaliação do impacto (2 anos em média) Informação da avaliação está mais próxima do momento em que é conhecida, porque o uso é registado de imediato após a publicação/ depósito, encortando tempo de reacção
Universo de elementos avaliados Publicações formais (revistas, sobretudo) Analisa todo o tipo de comunicação científica: formal ou informal (redes sociais, motores de pesquisa), ou seja, está mais próximo dos workflows dos actores
Objectos de avaliação Avalia autores, artigos, instituições Avalia autores, leitores, profissionais
Instrumentos de avaliação web logs web logs, estatísticas de uso
Dimensão avaliativa monodimensional multidimensional e cruzada

Os maiores desafios para a equipa que trabalha esta proposta está em recolher uma massa de dados representativa, em validar esses dados e enriquecê-los semanticamente com relações (triples).

Projecto Mesur

Em Outubro, serão conhecidos as conclusões desta proposta que irá certamente modificar a forma de avaliar no futuro. O mapa de avaliação da comunicação científica será mais fiel e actual. Disso não têm dúvidas os promotores, aliás sustentados pelos resultados alcançados até agora. Existem instituições, cuja avaliação interna se aproxima do modelo global, outras em que existe uma marcada diferença. Também, regra geral, não é coincidente a análise do factor de impacto com a de uso.

A combinação de indicadores e o cruzamento de fontes de dados, correctamente controlados e validados, são sem dúvida um bom contributo na direcção de uma avaliação mais global e fidedigna.

Mais interoperabilidade nos repositórios

Todos (re)conhecemos a importância do protocolo OAI-PHM nos repositórios digitais. A normalização e a possibilidade de exportar/ importar metadados massivamente representou uma revolução na visibilidade e na troca eficaz de informação sobre os recursos.

Porém, desde Outubro de 2006, está a ser trabalhada uma especificação do protocolo conhecida como OAI-ORE (Object Reuse and Exchange). O financiamento é da Andrew Mellon Foundation e os corrdenadores do projecto são Carl Lagazote (Universidad de Cornell) e Herbert Van de Sompel (Laboratório de Los Alamos).

É importante dizer que OAI-ORE não substitui OAI-PHM. Ambos trabalham a interoperabilidade, mas a níveis bem diferentes. OAI-PHM está centrado nos metadatos e OAI-ORE ocupa-se dos objectos digitais, os recursos, se quisermos chamar-lhes assim.

Os objectivos da equipa e da comunidade são:

  • permitir a troca de recursos entre repositórios distribuídos
  • facilitar a reutilização de recursos em diferentes contextos
  • inscrever os recursos nos workflows das comunidades a quem esses recursos interessam

Tornar isto realidade implica transformar os repositórios em vértices de uma rede imensa que comunicam (recebem e enviam) com todos os outros actores da Web. As máquinas não sabem o que são repositórios, mas sabem o que são URIs e a ideia é trabalhar os elementos com identificadores e direcções estáveis.

OAI-ORE contempla 3 tipos de elementos:

  • recursos, que têm o seu URI
  • agregações de recursos, a que também são atribuídos URI
  • mapas de recursos, que são representações de recursos e agregações, que têm o seu URI

Recursos, agregações e mapas funcionam como “recursos”, em essência, como descrição, como identificação. Neste processo é fundamental a sintaxe RDF e Atom.

Em termos práticos, é possível:

  • recuperar de forma transparente todas as partes de um recurso (páginas, capítulos, volumes de um mesmo recurso);
  • controlar e escolher entre versões de um mesmo documento (versão inicial e actualizada de um artigo, livro, etc);
  • identificar obras, manifestações e derivações (texto e sua adaptação ao teatro, original e traduções…);
  • escolher entre os vários formatos disponíveis para um mesmo recurso;
  • cruzar a informação de um artigo científico num repositório (ej. arXiv) com fotos, imagens em outro serviço (ej. Flickr), com dados, desenhos de moléculas noutro repositório temático, com outros artigos em CiteuLike…

A aplicação imediata de ORE é o campo científico e o ensino (repositórios institucionais, repositórios temáticos, dataset warehouse, repositórios de revistas…), mas não é difícil prever que é potencialmente interessante para muitas outras áreas.

Lessig, monopólios e corrupção

Serve este post para estrear uma rubrica que me parece fundamental na actualidade que vivemos - conhecer personalidades que moldam e representam correntes importantes da Internet, da informação e dos caminhos futuros. Os protagonistas da Rede são os anónimos, mas é certo que o trabalho conceptual e os princípios de muitas realidades foram fruto de contributos e iniciativas de indivíduos que se destacaram.

Lawrence LessigLawrence Lessig é um desses artífices que dedicou energia e esforço para um sistema mais justo e um acesso mais livre e global. Lessig é professor de Direito em Stanford e fundador da Creative Commons. Durante dez anos deu conferências em todo o mundo sobre o uso abusivo do direito de cópia e publicou quatro livros, onde expõe as suas ideias, casos reais e as consequências de uma demissão dos organismos reguladores e dos cidadãos em matéria de propriedade intelectual.

Desde Junho de 2007, Lessig retirou-se da cena e explicou que não abandonava o projecto, simplesmente que ia dedicar-se mais à luta contra a corrupção. Está convencido que o cerne da questão está nos políticos que se deixam subornar e embarcam em decisões que ferem o interesse público. Isso é particularmente verdade nos EUA, onde a protecção dos indivíduos face a interesses comerciais é mais fraca que na Europa. Durante todo este tempo, Lessig tentou sensibilizar o Congresso norte-americano, onde goza de alguma influência junto dos senadores conservadores, apesar de assumir uma postura liberal.

Free software, Free culture, Free society, Net neutrality

Estas quatro expressões povoam os livros de Lessig e sintetizam o seu pensamento. A centralidade no software é perfeitamente justificada, porque é a base da construção da sociedade da informação. Criar constrangimentos legais a esse nível inviabiliza um processo de globalização mais equilibrado, além de retirar ou diminuir a capacidade e a iniciativa de trocar, inovar, aperfeiçoar algo que já exista.

A neutralidade da net significa que não há cargas políticas, interesses económicos, estratégias monopolistas por trás de autênticos bunkers legais. Há países que compreenderam muito rapidamente o poder que o software livre lhes permitia - o Brasil, por exemplo. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, explicou que a adopção de Linux não foi por questões economicistas, antes porque é uma estratégia de desenvolvimento do próprio país.

Livros de Lessig:

Code and other laws of cyberspace (2000). Título em que refere a possibilidade de o controlo exercido no mundo real contaminar a Internet. É um alerta para os optimistas que acreditam que não é possível controlo algum. Lessig apela a uma atitude mais activa e consciente de todos.

The future of ideas (2001). Trata-se de um elogio à energia do colectivo que, uma vez conectada, se revela criativa e inovadora.

Free culture (2004). Inteiramente dedicado à propriedade intelectual e às fronteiras entre o copyright e alternativas. O tradicional copyright é anti-natural no ambiente digital.

Code version 2.0 (2006). Regresso ao tema do possível controlo da Internet. Para Lessig, o comércio é o motor dessa pressão e existem meios para controlar muito mais que aquilo que é possível fazer no meio real. Defende um modelo de arquitectura da Internet em que exista neutralidade, liberdade e possibilidade de escolha.

Adeus, password

Quantos de nós não se questionou acerca da quantidade de logins e passwords que coleccionamos à medida que realizamos mais uma inscripção ou um serviço? E quantos já não passaram pelo terror de encontrar um login que ainda não tenha sido atribuído? Ficámos, nessas alturas, com a sensação que o mundo inteiro já se registou e aceitámos de boa vontade a sugestão “clotilde63@yahoo.com” ou “estoufarta@hotmail.com”. Sem muito esforço, acumulamos uma série de códigos, além de termos de os mudar periodicamente por segurança. O OPEN ID vem em nosso auxílio e, ainda que pareça um clone ou uma variação de DOI, não se aplica à identificação de objectos ou unidades de informação, mas às pessoas que usam a rede e os múltiplos serviços por ela proporcionados. Trata-se de um serviço de identificação para a Internet, uma espécie de BI digital. É em formato aberto, descentralizado, livre e a pessoa é a detentora única desse código e da informação pessoal relacionada. OPEN ID Fundation é a entidade que arbitra. Existem já muitos serviços que proporcionam esta identificação do utilizador: BBC, AOL, Google, Yahoo… Flickr, Blogger, Technorati, WordPress. O universo dos blogs continua a ser muito dinâmico e precoce no uso e integração de novas tecnologias e soluções.

Brad Fitzpatrick (criador do OpenID) disse: “Nobody should own this. Nobody’s planning on making any money from this”.

Mais informação em:

http://openid.net/

http://openiddirectory.com

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